Navios retomam trânsito por Suez, apesar dos riscos no Mar Vermelho
Grandes armadoras voltam a usar parcialmente o Canal de Suez para reduzir custos e tempo de viagem, mesmo com a piora da segurança perto do Estreito de Bab el-Mandeb.

Divulgação
Retomada parcial busca reduzir custos e tempo de viagem
Grandes empresas de transporte marítimo aceleram o retorno ao Mar Vermelho e ao Canal de Suez, apesar do aumento dos riscos de segurança na região. A decisão busca reduzir a dependência da rota alternativa pelo Cabo da Boa Esperança, que tornou as viagens mais longas e elevou custos com combustível, operação e uso de embarcações.
Entre as companhias que anunciaram mudanças estão a A.P. Moller-Maersk, a Mediterranean Shipping Company, a China Cosco Shipping e a Orient Overseas. As retomadas, no entanto, continuam limitadas e serão avaliadas conforme a evolução da situação no Oriente Médio.
Maersk e MSC ampliam operações pela rota
A Maersk informou que quatro rotas operadas pela Gemini Cooperation, parceria com a Hapag-Lloyd, voltarão ao Canal de Suez. O serviço AE5 deve ser retomado em 21 de setembro com o navio Marchen Maersk, de capacidade para 19 mil TEUs. Com isso, seis rotas da aliança estarão restauradas no Mar Vermelho em um período de dois meses.
A MSC também anunciou uma retomada parcial do serviço Indusa no sentido oeste, enquanto a carga no sentido leste continuará evitando a região. A companhia informou que cada viagem será avaliada separadamente, sinalizando que a mudança não representa uma normalização definitiva do tráfego.
Desvio pelo Cabo perde espaço
A China Cosco Shipping e a Orient Overseas também devem restaurar gradualmente cinco rotas entre a Ásia, a Europa e o Mediterrâneo. Em 14 de setembro, o navio Xin Hui Zhou atravessou o Estreito de Bab el-Mandeb pelo serviço RES4, registrando a primeira passagem da Cosco pelo ponto estratégico em mais de dois anos.
Dados da Linerlytica indicam que a parcela da capacidade global de navios ainda desviada pelo Cabo da Boa Esperança caiu para 4,6%, o menor nível em dois anos. A CMA CGM também retomou algumas travessias, enquanto HMM, Ocean Network Express, Yang Ming Marine Transport e Evergreen ainda mantêm suas operações afastadas da região.
Segurança no Iêmen preocupa o mercado
A mudança ocorre em meio ao avanço dos houthis no Iêmen. O grupo tomou a cidade portuária de Mokha e as Ilhas Hanish e, em seguida, avançou para Dhubab e para a Ilha de Perim, situada no trecho mais estreito do Estreito de Bab el-Mandeb. A posição geográfica pode ampliar a capacidade de pressão sobre uma das principais passagens marítimas do mundo.
Economia pesa mais que o risco no curto prazo
O principal motivo para o retorno é econômico. Segundo a Sea-Intelligence, o aumento dos custos de combustível e os congestionamentos portuários reduziram a viabilidade dos desvios pelo Cabo da Boa Esperança. Para as armadoras, a rota de Suez oferece ganhos imediatos de eficiência e libera capacidade retida em trajetos mais longos.
A DHL calcula que o Canal de Suez reduza o tempo de trânsito em cerca de duas semanas e o consumo de combustível em aproximadamente 30%. Cerca de 19% dos serviços da rota Ásia-Europa no sentido oeste já voltaram a utilizar a passagem, mas uma nova escalada de ataques ou instabilidade militar pode interromper o movimento.
Apesar da melhora, a capacidade de contêineres que atravessa Bab el-Mandeb ainda representa apenas 23% dos níveis anteriores à crise, segundo a Xeneta. O setor, portanto, caminha para uma normalização gradual, mas ainda depende diretamente da estabilidade política e da segurança nas rotas do Mar Vermelho.
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