Japão eleva juros a 1,25%, maior nível em 31 anos
O Banco do Japão aumentou a taxa básica de 1% para 1,25%, no maior patamar desde 1995. A decisão busca combater pressões inflacionárias, reduzir o enfraquecimento do iene e continuar o processo de normalização monetária iniciado em 2024.

Divulgação
O Banco do Japão elevou sua taxa básica de juros de 1% para 1,25% nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026. A decisão, amplamente esperada pelo mercado financeiro, leva os juros ao maior patamar em 31 anos e confirma a continuidade do processo de normalização monetária no país.
Normalização monetária em ritmo gradual
O movimento faz parte de um ciclo iniciado em 2024, quando o Banco do Japão encerrou a política de juros negativos, então em -0,1%. Desde então, a autoridade monetária vem promovendo aumentos sucessivos na taxa básica, buscando afastar o país de anos de estímulos extraordinários e adequar os juros às novas condições da economia.
Japão enfrenta iene fraco e preços elevados
A alta dos juros ocorre em um cenário marcado pelo enfraquecimento persistente do iene, pela escalada dos preços e pela redução da força de trabalho. Juros mais elevados tendem a aumentar a atratividade de ativos denominados em iene, podendo fortalecer a moeda e amenizar a pressão inflacionária sobre produtos importados. Por outro lado, o aumento também encarece o crédito e pode reduzir o ritmo do consumo e dos investimentos.
Aperto monetário entre grandes economias
A decisão japonesa acompanha um movimento mais amplo de restrição monetária entre os principais bancos centrais. O Federal Reserve, dos Estados Unidos, também elevou sua taxa de referência, enquanto o Banco Central Europeu aumentou seus juros no início do mês. As medidas indicam preocupação das autoridades com a persistência das pressões inflacionárias em diferentes regiões.
Energia importada amplia vulnerabilidade
O quadro internacional é agravado pelo aumento dos preços do petróleo e do gás em razão da guerra no Irã, que provocou interrupções nas rotas de transporte marítimo pelo estreito de Ormuz. O Japão é particularmente vulnerável a esse cenário porque depende fortemente da importação de energia do Oriente Médio, o que torna a inflação doméstica mais sensível aos choques externos.
Inflação recua, mas permanece próxima da meta
Dados oficiais divulgados antes do anúncio mostraram que a inflação núcleo japonesa recuou de 1,8% para 1,7% em agosto. A queda indica uma desaceleração dos preços, mas o índice ainda permanece próximo da meta de 2% estabelecida pelo Banco do Japão. A elevação dos juros mostra que a autoridade monetária continua atenta aos riscos e prioriza a estabilização dos preços nos próximos meses.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








