Exportações em alta estimulam investimentos nos portos do Sul
O crescimento das exportações do agronegócio, especialmente de carnes, derivados de soja e grãos, acelera planos de expansão nos portos do Sul. Operadoras anunciam investimentos bilionários em capacidade, equipamentos e contêineres refrigerados para enfrentar gargalos e atender à demanda internacional.

Divulgação
O aumento das exportações do agronegócio está acelerando projetos de expansão nos portos do Sul. Carnes, congelados, derivados de soja, madeira, papel e celulose pressionam a estrutura logística e levam empresas a planejar investimentos bilionários em capacidade operacional, equipamentos e eletrificação de processos.
Terminal de Paranaguá prepara expansão
O terminal de contêineres de Paranaguá, no Paraná, administrado pela TCP, deve receber R$ 400 milhões entre 2027 e 2028. Os recursos serão direcionados à compra de equipamentos portuários, ampliação do número de tomadas e eletrificação de operações. O terminal, terceiro maior do país em contêineres, ocupa atualmente menos de 80% de sua capacidade.
A empresa avalia um ciclo maior de investimentos entre 2028 e 2030. A proposta prevê aporte de R$ 1,5 bilhão para elevar em 40% a capacidade instalada, que hoje chega a 1,8 milhão de TEUs, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés. O projeto está em fase final de análise da autoridade portuária e ainda precisa de validações, inclusive da Agência Nacional de Transportes Aquaviários.
A movimentação no terminal cresceu, em média, 10% ao ano nos últimos oito anos. As carnes e os congelados representam 46% das exportações handled pela TCP, e aproximadamente um em cada três contêineres brasileiros desse segmento passa pelo complexo paranaense. Para sustentar esse fluxo, a companhia já investiu R$ 500 milhões na ampliação das tomadas para contêineres refrigerados, que aumentaram de 3,2 mil para 5,3 mil e devem chegar a cerca de 6 mil até o fim de 2027.
Capacidade portuária vira gargalo estratégico
A expansão em Paranaguá ocorre enquanto outros terminais brasileiros operam próximos do limite. Segundo a TCP, complexos em Santa Catarina e no porto de Santos, em São Paulo, registram ocupação superior a 90%. A falta de capacidade pode provocar filas, atrasos na programação de navios e perda de eficiência no transporte marítimo de cargas.
A Rocha, operadora logística presente em Paranaguá, São Francisco do Sul, Rio Grande, Santana e Itaqui, também amplia sua participação no escoamento de grãos. A companhia investiu R$ 300 milhões no novo Cais Oeste de Paranaguá, inaugurado em julho, e realizou o primeiro carregamento de navio em agosto. A estrutura deve acrescentar 2 milhões de toneladas à capacidade anual de exportação, após um volume de 5,7 milhões de toneladas registrado no ano anterior.
A empresa retomou as operações em São Francisco do Sul depois de 13 anos e espera ampliar as alternativas de escoamento da produção agrícola no Sul do país. A previsão é de receita de R$ 880 milhões neste ano, crescimento de 1,5%, sustentado pela alta de 16% no segmento de grãos, apesar da queda de 21% no faturamento com fertilizantes.
Novo terminal prevê investimento de R$ 3 bilhões
A Coamo Agroindustrial, em parceria com a Yara Fertilizantes, planeja construir um terminal portuário em Itapoá, em Santa Catarina, com investimento estimado em R$ 3 bilhões. As obras estão programadas para começar em 2030. A cooperativa obteve a licença prévia do empreendimento e espera concluir as demais etapas de licenciamento antes do início da construção.
Os projetos mostram que o crescimento das exportações agrícolas exige antecipação de investimentos. A ampliação de terminais, a modernização de equipamentos e a criação de novas rotas de escoamento serão fundamentais para reduzir gargalos e manter o Brasil competitivo no comércio internacional de alimentos e commodities.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








