Inteligência artificial revoluciona comércio exterior com soluções para turbulências globais
Comex Tech Forum 2026 mostra como IA está transformando supply chain, otimizando rotas e previsões no setor, enquanto Brasil se destaca como player estratégico no Comércio Global 2.0.

O Comex Tech Forum 2026, realizado no Transamerica Expo Center em São Paulo, reuniu cerca de 4 mil profissionais e 30 especialistas para discutir o papel da inteligência artificial no comércio exterior. Em sua quarta edição, o evento ganha relevância diante de um cenário global marcado por turbulências: conflitos geopolíticos no Oriente Médio, fechamento do Estreito de Ormuz e políticas tarifárias americanas que impactam diretamente as cadeias de suprimentos e os custos de frete marítimo.
IA como aliada contra a fragmentação de dados
Alan Schmidt, diretor comercial da Logcomex, destacou como a inteligência artificial está sendo incorporada ao setor, saindo de nichos como desenvolvimento de software e engenharia para transformar áreas como jurídico, recursos humanos, marketing e, agora, o comércio exterior. "O setor sempre teve muitos dados, mas a informação não tinha visibilidade", afirmou. Segundo ele, a IA surge como solução para consolidar dados fragmentados em diferentes bases e entregar análises históricas e preditivas, permitindo decisões mais assertivas mesmo em meio a instabilidades externas.
Comércio Global 2.0: o futuro do supply chain
Lars Karlsson, diretor global da Maersk, apresentou o conceito de Comércio Global 2.0, um modelo orientado por IA que promete otimizar rotas, prever cenários, reduzir custos e aumentar a segurança. "O Brasil, especialmente o Porto de Santos, será um ponto central nesse novo modelo", afirmou. Ele ressaltou que a inteligência artificial está sendo implementada progressivamente para mitigar os impactos de crises geopolíticas, preparando o setor para lidar com cenários cada vez mais complexos.
Porto de Santos no centro das inovações
O evento também abordou o megaleilão do Tecon Santos 10, o maior porto da América Latina, onde o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou um acordo antitruste entre a Maersk e a MSC. A medida visa evitar a monopolização do espaço portuário e viabilizar investimentos privados, permitindo que mais empresas compartilhem a infraestrutura. "Essa decisão abre espaço para uma competição mais saudável e para a modernização do setor", declarou um dos participantes durante as discussões.



