Copom corta Selic, mas mantém cautela sobre novos cortes
Banco Central reduz a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, após sinais de desaceleração da atividade e alívio recente da inflação. Comunicação, porém, reforça preocupação com expectativas, serviços, câmbio e pressões externas.

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Decisão era esperada pelo mercado
O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, levando os juros básicos da economia para 13,75% ao ano. A decisão estava dentro do esperado pelo mercado financeiro e confirmou a percepção de que a autoridade monetária segue aberta a novos ajustes, embora sem estabelecer um calendário para eles.
A comunicação do Copom indicou uma desaceleração mais evidente da atividade econômica, especialmente em setores sensíveis ao ciclo de juros, e registrou avanços recentes no ritmo da inflação. Ao mesmo tempo, o colegiado preservou um tom prudente diante das expectativas inflacionárias, do comportamento do câmbio e dos riscos externos, fatores que continuam limitando uma trajetória mais rápida de queda dos juros.
Atividade mais fraca abre espaço para alívio
Especialistas destacaram que o diagnóstico sobre a economia mudou em comparação com a reunião anterior. A moderação do consumo, do investimento e de atividades mais cíclicas sugere que os juros elevados seguem transmitindo seus efeitos, criando condições para que o Banco Central avalie reduções adicionais de forma gradual.
Outro ponto observado foi a desaceleração das medidas subjacentes de inflação, consideradas importantes porque filtram efeitos temporários de preços administrados e itens mais voláteis. A projeção de inflação de 3,2% para o primeiro trimestre de 2028 ficou dentro do esperado, mas ainda exige acompanhamento para confirmar uma convergência consistente ao centro da meta.
Melhora recente depende de fatores temporários
A composição do recuo inflacionário, no entanto, continua sendo motivo de atenção. Parte relevante da desaceleração ocorreu pela queda nos preços dos alimentos, fenômeno que pode não ser permanente. Condições climáticas mais adversas, incluindo a possibilidade de um El Niño mais intenso, podem pressionar novamente a oferta agrícola e os preços no varejo.
Os custos do petróleo também permanecem elevados, acima de US$ 100 o barril, em meio às tensões no Oriente Médio. Esse cenário representa risco para combustíveis, transporte e outros componentes de preços, podendo reduzir o espaço para cortes sucessivos da Selic nos próximos meses.
Inflação de serviços ainda preocupa
A inflação de serviços e os preços associados à demanda interna continuam avançando em ritmo considerado acima do necessário para uma convergência tranquila à meta. O mercado de trabalho aquecido e a resistência em partes do consumo reforçam a cautela, pois indicam que determinados segmentos da economia ainda sustentam poder de compra e pressão sobre preços.
Por esse motivo, a melhora da inflação cheia não foi interpretada de forma uniforme. Embora os dados recentes sejam favoráveis, economistas avaliam que o Banco Central precisa observar se o alívio virá acompanhado de uma queda mais ampla das expectativas e dos preços sensíveis ao ciclo doméstico.
Próximo movimento continua em aberto
O Copom não antecipou se haverá novo corte ou uma pausa na próxima reunião. A decisão deixará de depender apenas dos indicadores recentes e passará a considerar o conjunto de dados de atividade, inflação, mercado de trabalho, câmbio e produto interno bruto.
Com a Selic em 13,75% ao ano, parte do mercado pode passar a trabalhar com a possibilidade de juros menores ainda em 2026. Ainda assim, a trajetória será condicionada à evolução dos riscos. A ata da reunião e os próximos indicadores deverão oferecer sinais mais claros sobre a duração e a velocidade do ciclo de afrouxamento monetário.
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