Brasil tem maior juro real entre 40 países, mostra levantamento
Brasil registra juro real de 8,45% ao ano e lidera levantamento com 40 países. Resultado combina taxas nominais elevadas com inflação projetada em 4,71% para os próximos 12 meses.

Divulgação
O Brasil permanece com o maior juro real entre os 40 países analisados por MoneYou e Lev Intelligence. A taxa brasileira é estimada em 8,45% ao ano, considerando as expectativas para os próximos 12 meses. A vantagem em relação à Rússia, segunda colocada, é de 1,66 ponto percentual.
Inflação esperada influencia liderança
O cálculo leva em conta uma Selic de 13,75% ao ano e inflação projetada em 4,71% para o período, conforme o relatório Focus do Banco Central. Para o Brasil, a metodologia utiliza a taxa DI de um ano, que representa operações realizadas no mercado financeiro e mantém o mesmo prazo de comparação adotado nas demais economias.
A liderança não significa que o país tenha a maior taxa nominal. O juro real mede o retorno depois de descontada a perda do poder de compra pela inflação. Assim, a combinação entre remuneração elevada e expectativas de preços determina a posição de cada país no ranking. A média das 40 economias avaliadas é de 1,62%.
Rússia, Colômbia e Turquia vêm atrás
A Rússia aparece em segundo lugar, com juro real de 6,79%. Na sequência estão Colômbia, com 6,33%, e Turquia, com 6,25%. O levantamento também indica que 35% dos países elevaram suas taxas de juros, enquanto 55% mantiveram as taxas e 10% promoveram cortes.
As projeções de inflação para os próximos 12 meses foram revistas para cima na maioria das economias avaliadas. Esse movimento reduziu o juro real em parte dos países e levou algumas delas a registrar taxas reais negativas, situação em que a remuneração financeira fica abaixo da desvalorização esperada da moeda.
Brasil é o 4º no juro nominal
No ranking de taxas nominais, o Brasil ocupa a 4ª posição, com 13,75% ao ano. Fica atrás da Turquia, que pratica 37%; da Argentina, com 29%; e da Rússia, com 14%. Colômbia, África do Sul e México aparecem depois do Brasil, com taxas de 12%, 7% e 6,50%, respectivamente.
Brasil manteria vantagem após corte da Selic
MoneYou e Lev Intelligence também simularam mudanças na taxa básica. Se a Selic cair 0,25 ponto percentual, para 13,50%, o juro real brasileiro será estimado em 8,29%. Caso haja alta de 0,25 ponto, reaching 14%, o indicador passará a 8,84%.
Jason Vieira, economista-chefe da Lev/MoneYou, avalia que um corte de 0,25 ponto não mudaria a liderança brasileira. A inflação projetada alterou a dinâmica dos juros reais e ampliou a distância para o segundo colocado. Para a economia, juros reais elevados podem atrair investimentos financeiros e apoiar a moeda, mas também encarecem crédito, consumo e investimentos produtivos.
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