Bolsa tem maior retorno sob Lula 3 do que sob Bolsonaro, aponta estudo
Levantamento compara ativos de renda variável e fixa nos dois períodos e aponta rentabilidade superior na maior parte dos indicadores durante o terceiro mandato de Lula. Bitcoin, Small Caps e moedas estrangeiras ficam entre as exceções.

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Os principais indicadores de renda variável e renda fixa apresentaram rentabilidade maior no terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva do que durante o governo de Jair Bolsonaro. A comparação, feita pela consultoria Elos Ayta, abrange dados do governo Lula até 15 de setembro e o período de 2019 a 2022 da gestão Bolsonaro, que incluiu os impactos econômicos da pandemia de covid-19.
Ibovespa e dividendos lideram avanços
O Ibovespa, principal indicador de ações negociadas na B3, acumulou alta de 69,96% no governo Lula 3. No governo Bolsonaro, o avanço foi de 24,86%. O IDIV, que acompanha companhias com histórico relevante de pagamento de dividendos, subiu 82,78% na gestão atual, ante 51,51% na anterior.
Os dois períodos enfrentaram ciclos de juros elevados, embora a Selic tenha alcançado patamar mais alto sob Lula. A taxa básica permaneceu acima de dois dígitos durante o mandato atual até o momento da comparação, cenário que normalmente reduz o apetite por ativos de maior risco e sustenta a procura por aplicações de renda fixa.
BDRs e fundos imobiliários também se destacam
O BDRX, índice formado por BDRs, avançou 148,63% no governo Lula. Esses recibos, negociados na B3, representam ações de empresas estrangeiras e permitem ao investidor brasileiro ter exposição a companhias do exterior. Durante o governo Bolsonaro, a rentabilidade do indicador foi de 100,91%.
Os fundos imobiliários também registraram desempenho superior no período atual. O IFIX acumulou valorização de 30,61%, enquanto o governo Bolsonaro teve retorno de 21,92%. O resultado indica que diferentes segmentos da renda variável acompanharam a melhora relativa observada no Ibovespa e no índice de dividendos.
Bitcoin e Small Caps fogem da tendência
Nem todos os ativos de maior risco, porém, tiveram rentabilidade superior no governo Lula. O Bitcoin valorizou 342,86% no período analisado, resultado expressivo, mas abaixo dos 495,58% registrados durante a gestão Bolsonaro. O criptoativo continua sujeito a oscilações intensas e responde a fatores internacionais, como liquidez global, demanda institucional e expectativas sobre juros.
O índice de Small Caps, composto por ações de empresas de menor valor de mercado, também apresentou desempenho ligeiramente melhor sob Bolsonaro. A alta foi de 11,87%, contra 10,85% no governo Lula. Esses papéis costumam ser mais sensíveis ao custo do crédito, pois empresas menores geralmente dependem mais de financiamento para crescer.
Renda fixa supera resultados anteriores
Na renda fixa, o CDI acumulou retorno de 57,46% no governo Lula, mais que o dobro dos 27,79% registrados no governo Bolsonaro. O IMA-Geral, que mede o desempenho de títulos públicos federais, subiu 51,20% na gestão atual, contra 31,57% no período anterior. A Selic elevada contribuiu diretamente para esses resultados.
Inflação e câmbio mostram cenário distinto
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, acumulou inflação de 17,90% no governo Lula, ante 26,93% no governo Bolsonaro. No câmbio, o dólar Ptax, taxa de referência calculada pelo Banco Central, caiu 1,32% na gestão atual. Durante o governo Bolsonaro, a moeda americana havia subido 34,66%.
O euro apresentou comportamento semelhante: avançou 6,71% no governo Lula, enquanto no período Bolsonaro a alta foi de 25,47%. Apesar dos números favoráveis na maior parte dos indicadores, a comparação deve ser analisada com cautela, pois os períodos têm durações e contextos econômicos diferentes. Rentabilidade passada não garante resultados futuros e depende de juros, inflação, câmbio, riscos políticos e condições internacionais.
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