Trabalho infantil no Brasil registra queda significativa em 2025
Pesquisa do IBGE aponta que 1,5 milhão de crianças e adolescentes ainda estão em situação de trabalho infantil, mas o número representa uma redução de 9,2% em relação ao ano anterior.

Divulgação
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo IBGE, trouxe dados importantes sobre a realidade do trabalho infantil no Brasil. Em 2025, o país registrou 1,499 milhão de crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, em situação de trabalho infantil, o que representa 4% da população nessa faixa etária. Embora o número ainda seja expressivo, ele marca uma redução de 9,2% em comparação com 2024, quando 1,65 milhão de jovens estavam nessa condição.
Queda expressiva em relação a anos anteriores
A análise dos dados revela uma tendência de queda mais acentuada quando comparada a períodos mais longos. Em relação a 2016, quando o número de crianças e adolescentes em trabalho infantil era de 2,1 milhões (5,2% da população), a redução em 2025 chega a 28,6%. Essa diminuição consolida um movimento que, com algumas oscilações, tem se mostrado positivo ao longo dos anos.
Políticas públicas e fatores econômicos impulsionam a redução
Diversos fatores contribuem para essa melhora, segundo especialistas. Políticas públicas voltadas para a erradicação do trabalho infantil, como as promovidas pelo Ministério Público do Trabalho, e programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, desempenham um papel crucial. A melhora no mercado de trabalho, com taxas de desocupação historicamente baixas e aumento da renda domiciliar per capita, também são apontados como elementos que favorecem a permanência de crianças e adolescentes na escola e longe do mercado de trabalho.
Bolsa Família e o impacto na redução do trabalho infantil
A pesquisa do IBGE também destacou a relação entre o recebimento do Bolsa Família e a situação de trabalho infantil. Em 2025, a média de rendimento per capita de domicílios beneficiários do programa era de R$ 660, enquanto os não beneficiários apresentavam uma renda média de R$ 1.990, reforçando o foco do programa nas famílias de menor renda. Embora o percentual de crianças em trabalho infantil em domicílios beneficiários do Bolsa Família (4,4%) ainda seja ligeiramente superior ao da população total (4%), a redução nesse grupo foi mais acentuada: 41% entre 2016 e 2025, contra 29% no total da população. Isso demonstra a eficácia das políticas sociais em mitigar o problema.
Piores formas de trabalho infantil em menor patamar
Um dado alentador é a diminuição das chamadas “piores formas de trabalho infantil”, que incluem situações de risco à saúde, desenvolvimento e moral das crianças e adolescentes, como escravidão, exploração sexual e tráfico de drogas. Em 2025, 525 mil crianças e adolescentes estavam em ocupações consideradas como piores formas, o menor patamar registrado, representando 1,4% do total da população nessa faixa etária. Essa redução, embora gradual, é um indicativo importante do avanço na proteção dos direitos das crianças e adolescentes no país.
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