Pipa quer ampliar de 1,4 mil para 1 milhão de famílias em 10 anos
Criado em Pernambuco com 20 famílias, o Pipa já atende mais de 1.400 lares e quer alcançar 1 milhão em dez anos com apoio de tecnologia, parcerias e novos investimentos.

Divulgação
O Instituto Primeira Infância Plantar Amor, conhecido como Pipa, planeja ampliar sua metodologia de apoio a famílias com crianças pequenas em escala nacional. Criado há oito anos em Caruaru, no interior de Pernambuco, o programa começou acompanhando 20 famílias e hoje atende mais de 1.400 lares. A meta agora é chegar a 1 milhão de famílias nos próximos dez anos.
Da visita domiciliar ao atendimento híbrido
O projeto surgiu a partir da percepção de que a construção de creches não seria suficiente para enfrentar os desafios da primeira infância. O atendimento inicial era feito por assistentes sociais nas casas de trabalhadores de uma construtora em Caruaru. Com famílias vivendo em diferentes cidades, tornou-se necessário buscar uma forma de acompanhamento menos dependente da presença física.
Antes da pandemia de covid-19, o Pipa já desenvolvia recursos digitais. As restriões ao contato presencial aceleraram a mudança e ajudaram a consolidar o modelo híbrido usado atualmente. O primeiro contato continua sendo feito pessoalmente, mas o acompanhamento passa a incluir mensagens por WhatsApp, videochamadas e conteúdos personalizados.
Prêmio impulsiona a expansão
A nova etapa ganhou força após a vitória no Good Start Challenge, competição internacional voltada a soluções para mães, pais e cuidadores de crianças pequenas. Mais de mil iniciativas participaram da seleção, e 22 organizações de nove países chegaram à fase final. Cada finalista recebeu 50 mil euros para testar melhorias, enquanto os vencedores obtiveram mais 200 mil euros.
Com o prêmio e um aporte privado adicional, o Pipa reuniu 500 mil euros, aproximadamente R$ 3 milhões, para investir na expansão. Os recursos serão destinados ao aprimoramento da tecnologia, à produção de evidências, ao monitoramento de resultados, à formação de profissionais e a novos testes de implementação. A organização também pretende diversificar receitas com doações, prestação de serviços a empresas e captação por leis de incentivo.
Parceria com governos sem repasse direto
O caminho escolhido para ampliar o alcance da metodologia envolve o poder público, mas sem depender de repasses diretos de prefeituras, governos estaduais ou da União. Segundo os dirigentes do instituto, a estratégia é manter independência política e permitir parcerias com diferentes gestões. Ao mesmo tempo, o Pipa pretende capacitar estruturas públicas para aplicar o programa em maior escala.
O modelo de financiamento varia conforme o público atendido. Empresas podem contratar o Pipa como benefício para funcionários, enquanto famílias em situação de vulnerabilidade recebem o serviço gratuitamente nos territórios atendidos pelo instituto. A sustentabilidade financeira será fundamental para transformar uma metodologia ainda concentrada em parte do Nordeste em uma política capaz de alcançar milhões de lares.
Como funciona o acompanhamento
O Pipa acompanha famílias desde a gestação e parte do princípio de que o desenvolvimento infantil também depende das condições oferecidas aos responsáveis pela criança. Profissionais chamados de Estrelas Guias identificam necessidades, orientam as famílias e fazem a conexão com psicólogos, pedagogos, terapeutas e outros especialistas.
A cada dois meses, os participantes recebem a Caixa Pipa, com materiais destinados ao estímulo do desenvolvimento infantil, um livro para leitura compartilhada e um brinquedo. O programa também realiza encontros sobre parentalidade, autocuidado e desenvolvimento infantil. Atualmente, está presente em 24 municípios de Pernambuco, Alagoas, Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte.
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