Expedição investiga biodiversidade no alto da Serra do Aracá
Grupo com 16 cientistas realiza o maior esforço de prospecção já feito no topo de montanhas isoladas do extremo norte do Amazonas. As coletas de fauna, flora, solo, água e material genético buscam revelar espécies e relações ecológicas ainda desconhecidas.

Divulgação
Uma expedição com 16 cientistas investiga a biodiversidade no topo de um platô isolado da Serra do Aracá, no extremo norte do Amazonas. Considerado o maior esforço de prospecção já realizado nesse tipo de montanha na região, o trabalho reúne especialistas de várias áreas para registrar espécies da fauna e da flora, além de coletar amostras de água, solo e material biológico.
Coletas em ambiente de altitude
O campo-base está instalado a 1.260 metros de altitude, a cerca de 220 quilômetros ao norte de Barcelos. A área faz parte de um tepui, formação de topo plano comum no norte da Amazônia. Por permanecer isolada em relação às florestas da planície, a região abriga comunidades ecológicas distintas e pode concentrar espécies de ocorrência restrita.
A rotina começa cedo. Por volta das 7h, os pesquisadores deixam o acampamento e se distribuem pela mata. Zoólogos instalam armadilhas e percorrem pontos previamente definidos, enquanto botânicos examinam diferentes formações de vegetação. A equipe também registra animais, insetos, parasitas e outros organismos encontrados durante as incursões.
Amostras aproveitam janela curta de pesquisa
A entomologista Gabriela Procópio Camacho ilustra o ritmo intenso da missão. Especialista em formigas, ela recolhe cupins e outros insetos encontrados no caminho para ampliar o material disponível a futuros estudos. Os espécimes são armazenados em frascos com álcool e, depois, encaminhados ao acervo biológico do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.
Nas plantas, a coleta depende do momento reprodutivo. Flores e frutos permitem identificar exemplares com segurança em nível de gênero e espécie. Após cada saída de campo, as pesquisadoras prensam os materiais em folhas de jornal, organizam duplicatas e preservam fragmentos de folhas em sílica gel para manter o DNA em condições adequadas até a análise em laboratório.
Planejamento começou antes da viagem
O trabalho de campo foi precedido por levantamentos em artigos científicos, listas históricas de espécies e bases digitais, como o speciesLink. O objetivo foi antecipar quais grupos poderiam ser encontrados e orientar as decisões durante a expedição, reduzindo o tempo perdido em uma área de acesso difícil e logística limitada.
Nos cinco primeiros dias, as botânicas já haviam reunido mais de 100 espécimes, com registros de populações expressivas de canela-de-ema, do gênero Vellozia. O conjunto de dados deverá ampliar o conhecimento sobre ecossistemas de altitude amazônicos e servir de base para pesquisas futuras em taxonomia, genética, ecologia e conservação.
A missão conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e apoio logístico e de segurança do Exército Brasileiro. Participam pesquisadores ligados à USP, ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, ao Instituto Federal do Amazonas, à Universidade Federal de São Carlos e a instituições da França, Espanha, Estados Unidos e Noruega.
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