Envelhecimento reduz uso de oxigênio no cérebro e nos músculos, aponta estudo
Pesquisa realizada com 40 pessoas fisicamente ativas identificou que idosos tiveram menor oxigenação cerebral, menor aproveitamento muscular de oxigênio e recuperação mais lenta durante e após caminhada em intensidade moderada.

Divulgação
O envelhecimento pode comprometer a capacidade do cérebro e dos músculos de captar e utilizar oxigênio durante a atividade física. A conclusão é de um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), com participantes jovens e idosos fisicamente ativos.
Resposta cerebral durante o exercício
A pesquisa avaliou 40 pessoas, divididas entre 20 jovens e 20 idosos. Todos caminharam por 10 minutos em uma esteira, em intensidade moderada, enquanto a equipe monitorava a oxigenação do córtex pré-frontal e de músculos dos membros superiores e inferiores.
O acompanhamento foi feito por espectroscopia no infravermelho próximo, técnica não invasiva que utiliza luz para estimar a oxigenação dos tecidos. Sensores foram instalados na região frontal da cabeça, na coxa e no braço dos participantes.
Entre os jovens, a oxigenação do córtex pré-frontal aumentou de forma progressiva até o sétimo minuto da caminhada. Nos idosos, essa elevação não ocorreu da mesma maneira, indicando menor disponibilidade de oxigênio em uma área cerebral relacionada ao planejamento e à execução de movimentos.
Músculos utilizaram menos oxigênio
As diferenças também apareceram na resposta muscular. Os jovens apresentaram maior aumento da desoxi-hemoglobina na coxa, variação associada à retirada de oxigênio do sangue para a produção de energia. Entre os participantes mais velhos, a alteração foi menor, sugerindo aproveitamento reduzido do oxigênio disponível.
Os idosos também produziram menos lactato após o esforço. Para os pesquisadores, o resultado aponta menor ativação da via anaeróbia lática, mecanismo acionado pelo organismo quando a demanda por energia aumenta durante o exercício. A oxigenação cerebral desse grupo também demorou mais para retornar aos níveis anteriores à caminhada.
Resultados reforçam necessidade de prescrição individualizada
>As alterações podem estar relacionadas a mudanças na circulação sanguínea e no funcionamento das mitocôndrias, estruturas responsáveis por utilizar oxigênio na produção de energia celular. Essas transformações, comuns ao envelhecimento, podem influenciar tanto o desempenho físico quanto a recuperação após o esforço.
Os achados não indicam que pessoas idosas devam reduzir a prática de atividade física. Pelo contrário, exercícios regulares contribuem para o bem-estar e ajudam a diminuir os riscos de doenças cardiovasculares, diabetes, depressão e quedas. Treinos de força e resistência também são importantes para preservar músculos, ossos e autonomia.
A principal implicação do estudo está na necessidade de adaptar intensidade, duração e tipo de exercício às condições de cada pessoa. A população idosa é bastante heterogênea, e prescrições padronizadas podem não considerar diferenças na capacidade cardiovascular, muscular e metabólica.
Os resultados foram publicados no Translational Journal of the American College of Sports Medicine e podem contribuir para o aprimoramento de estratégias de treinamento e avaliação do envelhecimento físico.
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