Anvisa monitora ligação de "canetas emagrecedoras" a doença ocular rara
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acompanha notificações de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia), uma condição que pode causar perda de visão, em usuários de medicamentos análogos de GLP-1, popularmente conhecidos como "canetas emagrecedoras". A investigação faz parte da farmacovigilância e, embora estudos internacionais indiquem um risco relativo maior, a ocorrência da doença é considerada muito rara. A agência recomenda atenção e busca por atendimento médico imediato em caso de alterações visuais.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está de olho em uma possível ligação entre os populares medicamentos conhecidos como "canetas emagrecedoras" e uma doença rara que afeta a visão. A agência acompanha 14 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, ou Noia, em pessoas que utilizam fármacos da classe dos análogos de GLP-1, amplamente empregados no tratamento de diabetes e obesidade. Embora o número de casos seja pequeno e a relação causal ainda esteja sob investigação, a vigilância sanitária brasileira, em conjunto com autoridades internacionais, reforça a importância da atenção aos sinais de alerta.
O que é a Noia e quais medicamentos estão sob observação
A Noia é uma condição séria que ocorre quando há uma interrupção ou redução no fluxo sanguíneo que irriga o nervo óptico, podendo levar à perda repentina da visão em um ou ambos os olhos, por vezes de forma irreversível. Os medicamentos envolvidos nesta análise incluem princípios ativos como a semaglutida (presente em Ozempic e Wegovy), a tirzepatida, a liraglutida (encontrada em Saxenda e Victoza) e a dulaglutida (do Trulicity). É fundamental ressaltar que as notificações registradas no Painel de Farmacovigilância da Anvisa são relatos de suspeita e não confirmam, por si só, que os remédios foram a causa direta da doença. Esse monitoramento pós-comercialização é crucial para identificar eventos adversos extremamente incomuns que podem não aparecer nos testes clínicos iniciais. Até o momento, a Anvisa informa que os registros não alteraram a avaliação geral de segurança dos tratamentos.
Vigilância global e aumento relativo do risco
A atenção a essa condição não é exclusividade brasileira. Autoridades sanitárias como a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e o Comitê Consultivo da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre Segurança de Medicamentos também estão avaliando as evidências. Estudos epidemiológicos de grande porte, incluindo um da Universidade Harvard, sugerem que a exposição à semaglutida pode estar associada a um risco relativo de desenvolver Noia cerca de duas vezes maior em adultos com diabetes tipo 2, em comparação com quem não usa o medicamento. No entanto, mesmo com esse aumento do risco relativo, a ocorrência absoluta da doença permanece muito baixa, atingindo até uma pessoa a cada 10 mil usuários, o que a classifica como uma reação "muito rara", conforme já incluído nas bulas por determinação da Anvisa desde junho de 2025. A ampliação da vigilância é natural, visto que milhões de pacientes globalmente utilizam esses medicamentos, tornando eventos antes imperceptíveis mais visíveis.
Recomendações da Anvisa para usuários
Diante da gravidade da Noia e do uso disseminado dos análogos de GLP-1, a Anvisa é categórica em suas recomendações. Pacientes em tratamento devem ficar atentos a qualquer alteração visual repentina e buscar atendimento médico imediato caso notem sintomas como perda súbita da visão, visão turva ou uma piora acelerada da capacidade visual. Os profissionais de saúde, por sua vez, devem alertar seus pacientes sobre esse risco, mesmo que raro, e orientá-los sobre os sinais de alerta. Se a Noia for confirmada, a recomendação é que o tratamento com o medicamento seja interrompido, sublinhando a importância da pronta ação para preservar a saúde ocular.
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