Acidentes com animais peçonhentos: cuidados imediatos e o que evitar
Picadas de aranhas, escorpiões e serpentes exigem avaliação médica rápida. Especialistas recomendam não tocar no animal, não aplicar receitas caseiras e preservar a vítima até o atendimento.

Divulgação
Acidentes com animais peçonhentos podem evoluir de um quadro leve para complicações graves em poucas horas. Aranhas, escorpiões e serpentes estão entre os principais responsáveis por buscas por atendimento médico, e a rapidez no socorro é determinante para reduzir os riscos de intoxicação, lesões permanentes e morte.
Primeiros cuidados após a picada
Em caso de picada ou mordedura, a vítima deve ser encaminhada imediatamente a uma unidade de saúde, mesmo que o animal não tenha sido visto. O ideal é lavar o local apenas com água e sabão, manter o membro afetado elevado, remover anéis, pulseiras e objetos apertados e evitar esforços que acelerem a circulação do veneno.
Não se deve cortar, furar ou sugar o local da lesão. Também é contraindicado aplicar torniquetes, álcool, pó de café, fumo, plantas, açúcar ou qualquer outra substância. Essas práticas não neutralizam o veneno e podem aumentar o risco de infecção, sangramento e agravamento dos danos aos tecidos.
Quando procurar atendimento com urgência
Dor intensa, inchaço, vermelhidão, manchas arroxeadas, vômitos, sudorese, visão turva, dificuldade para respirar, sonolência, alteração da pressão arterial e urina escura são sinais de alerta. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças prévias devem receber atenção ainda mais rápida, pois podem apresentar evolução mais grave.
O soro antipeçonhento é indicado conforme o animal envolvido, a quantidade de veneno inoculada e os sintomas. Por isso, o tratamento deve ser definido por profissionais de saúde. Em São Paulo, a rede estadual mantém Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno, os PESA, preparados para avaliar esses casos e aplicar o antídoto quando necessário.
Aranhas exigem atenção mesmo sem dor imediata
No Brasil, as aranhas de maior importância médica são a armadeira, a marrom e a viúva-negra. A armadeira costuma adotar uma postura defensiva, erguendo as patas dianteiras quando se sente ameaçada. Já a aranha-marrom é pequena, discreta e geralmente pica ao ser comprimida dentro de roupas, sapatos, móveis ou camas.
A picada da aranha-marrom pode parecer inofensiva no início. A dor e as alterações na pele costumam aumentar nas horas seguintes, podendo causar lesão arroxeada, vermelhidão e, em casos graves, necrose. Também pode ocorrer destruição de glóbulos vermelhos, com palidez, coloração amarelada na pele e urina escura.
Escorpiões estão cada vez mais presentes nas cidades
Escorpiões se adaptaram ao ambiente urbano porque encontram abrigo, água e alimento, especialmente baratas. Podem ser encontrados em ralos, calhas, caixas de fiação, entulho, muros, sapatos e áreas com acúmulo de materiais. A presença do animal deve ser comunicada aos órgãos municipais competentes quando não for possível realizar a retirada com segurança.
O escorpião-amarelo é considerado particularmente perigoso e pode causar acidentes graves, sobretudo em crianças. Sua picada provoca dor intensa e pode levar a vômitos, agitação, sudorese, alterações cardiovasculares e respiratórias. A avaliação médica não deve aguardar o aparecimento desses sintomas.
Como prevenir novos acidentes
A prevenção começa por manter quintais, garagens, jardins e áreas externas limpos, sem entulho ou acúmulo de materiais. Ralos, frestas, portas e janelas devem ser vedados, e calçados, roupas e roupas de cama precisam ser conferidos antes do uso.
Se for necessário identificar o animal, ele deve ser fotografado à distância ou capturado apenas por pessoa protegida e com equipamento adequado. Nunca se deve pegá-lo com as mãos. Levar uma imagem nítida ou o animal preservado pode ajudar os profissionais de saúde a indicar o tratamento correto.
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