The Ghost in the Shell ganha adaptação fiel ao mangá cyberpunk
Produção do Science Saru abandona o tom existencialista do filme de 1995 e valoriza o humor, a ação e a estética do mangá original de Masamune Shirow.
Uma releitura alinhada ao mangá
A adaptação em 10 episódios de The Ghost in the Shell, concluída em setembro de 2026, finalmente aproxima a obra das páginas originais publicadas por Masamune Shirow nos anos 1980. A nova produção do estúdio Science Saru, conhecido por Dandadan, privilegia a ação, o humor e o ritmo acelerado que marcaram o mangá, sem tentar reproduzir a abordagem filosófica do filme animado lançado em 1995.
Desde a obra dirigida por Mamoru Oshii, a franquia ganhou sequências, prequelas e derivados em diferentes formatos e estilos visuais. Embora essas produções tenham ampliado a influência do universo cyberpunk, muitas se afastaram do tom original. A versão hollywoodiana com Scarlett Johansson, por exemplo, foi amplamente criticada e não conseguiu estabelecer uma conexão convincente com a essência da história.
Motoko Kusanagi em um futuro dominado pela tecnologia
A trama acompanha a major Motoko Kusanagi e a Seção 9, equipe da Segurança Pública que atua em um mundo tomado por megacorporações, espionagem, terrorismo e disputas políticas. Ambientada em 2030, a narrativa mostra uma sociedade na qual robôs, androides e implantes cibernéticos fazem parte da rotina. A conexão direta entre cérebros eletrônicos e a rede mundial de computadores também aparece como algo comum, ainda que inquietante.
Diferentemente do filme de 1995, que investigava a possível perda da humanidade de Motoko, a nova série trata seu corpo quase totalmente sintético com naturalidade. A personagem usa suas capacidades sem hesitação, troca de corpos quando necessário e transfere sua consciência para sistemas sem corpo físico. Essa postura direta reforça a fidelidade ao mangá e cria um contraste interessante com adaptações anteriores, mais contemplativas e existenciais.
Ação, humor e estética vibrante
Outro destaque é o tratamento dado ao humor. A Seção 9 investiga crimes, comete ilegalidades em nome do interesse público e enfrenta terroristas, espiões e políticos corruptos com objetividade. Ao mesmo tempo, os personagens mantêm uma dinâmica leve, marcada por provocações, piadas e erros inesperados. A própria Motoko ganha uma personalidade mais descontraída e marcante, distante da postura excessivamente sisuda vista em outras versões.
Visualmente, a série também se afasta dos tons cinzentos e realistas das adaptações anteriores. O traço cartunesco, as cores vivas e o ritmo frenético aproximam a produção da estética dos anos 1980, oferecendo uma releitura moderna sem perder a identidade da obra original. Para quem esperava uma versão fiel ao mangá, a mudança funciona como um acerto. Para quem permanece preso ao clima filosófico do filme de 1995, a nova abordagem pode exigir algum desapego.
The Ghost in the Shell está disponível no Prime Video.
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