Reach anuncia corte de 220 vagas editoriais após queda no tráfego do Google
Editora britânica dos jornais Mirror e Express atribui a reestruturação ao avanço de respostas geradas por inteligência artificial, que reduziu em 46% o tráfego vindo do Google. Empresa também encerrará três marcas digitais, mas pretende criar 60 vagas em áreas ligadas à receita.

Divulgação
A Reach, editora britânica responsável por veículos como os jornais Mirror e Express, anunciou o corte de 220 vagas editoriais. A decisão faz parte de uma reestruturação motivada pela queda de 46% no tráfego recebido do Google, fenômeno atribuído pela empresa ao crescimento de ferramentas de inteligência artificial que entregam resumos de notícias diretamente nos resultados de busca.
A companhia avalia que recursos como AI Mode e AI Overviews reduziram a necessidade de os leitores acessarem os sites dos veículos para obter informações básicas. O movimento revela uma pressão crescente sobre o modelo de audiência digital, especialmente para empresas que dependem fortemente do tráfego enviado por plataformas de busca.
Marcas digitais serão encerradas
Além da redução de postos editoriais, a Reach planeja encerrar as marcas digitais KentLive, AberdeenLive e GalwayBeo. A empresa não esclareceu quais outras publicações ou equipes serão mais afetados pelos cortes, o que mantém a reorganização sob observação por funcionários e pelo setor de mídia no Reino Unido.
A reestruturação também prevê a criação de 60 vagas, concentradas em áreas ligadas à receita digital. Entre as prioridades estão o fortalecimento de assinaturas e a produção de vídeos de formato longo, formatos considerados mais capazes de fidelizar leitores e gerar receitas recorrentes do que o tráfego ocasional proveniente de buscadores.
Estratégia privilegia jornalismo original
Em comunicado aos funcionários, David Higgerson, diretor de conteúdo da Reach, defendeu uma mudança de foco: menos dependência do volume de publicações e mais investimento em jornalismo original. A orientação indica uma tentativa de diferenciar o conteúdo produzido pela empresa das respostas sintéticas oferecidas por ferramentas de inteligência artificial.
Higgerson também apontou a BBC como fonte adicional de pressão sobre os veículos comerciais. Segundo ele, a emissora pública britânica reproduz, em até 70% dos casos, informações produzidas localmente por empresas privadas, sem que essas redações recebam necessariamente o retorno proporcional em audiência ou receita.
O anúncio da Reach ilustra um dos principais desafios enfrentados pela imprensa na atualidade. À medida que mecanismos de busca incorporam respostas geradas por IA, veículos precisam encontrar novas formas de preservar valor, conquistar audiência direta e transformar leitores em assinantes. O impacto sobre as redações, no entanto, já começa a ser sentido com a eliminação de centenas de funções editoriais.
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