New York Times diz que OpenAI e Microsoft “roubaram” artigos para treinar Ia
Documentos judiciais tornados públicos em setembro de 2026 reforçam a ação do New York Times contra OpenAI e Microsoft pelo uso de artigos no treinamento de sistemas de inteligência artificial. Empresas afirmam que a prática é protegida pelo princípio do uso justo nos Estados Unidos.

Divulgação
Documentos reacendem disputa sobre uso de jornalismo
A briga judicial entre o New York Times, a OpenAI e a Microsoft ganhou novos elementos com a divulgação de documentos relacionados ao processo por violação de direitos autorais. O jornal acusa as empresas de utilizar milhões de artigos, textos e conteúdos jornalísticos no treinamento de sistemas de inteligência artificial sem autorização ou pagamento aos veículos.
Entre os registros tornados públicos na quinta-feira, 17 de setembro de 2026, estão mensagens internas que mostram preocupações de funcionários das companhias sobre o impacto da tecnologia no jornalismo. Em um documento de 2023, Brent Hecht, diretor de ciência aplicada da Microsoft, escreveu que muitas pessoas poderiam enxergar o uso de seus trabalhos por modelos de IA como “um roubo impressionante de proporções sem precedentes”.
Executivos já avaliavam impacto sobre veículos de comunicação
O material também traz manifestações atribuídas a Nick Turley, que liderava a equipe responsável pelo desenvolvimento do ChatGPT. Em junho de 2023, ele teria descrito a inteligência artificial como uma “ameaça existencial” para empresas jornalísticas. Em fevereiro de 2024, segundo os documentos, avaliou que os produtos de IA se tornariam cada vez mais capazes de substituir conteúdos originais à medida que evoluíssem.
A Microsoft contestou a interpretação dada às declarações de Hecht. A companhia afirmou que opiniões individuais de funcionários não representam sua posição oficial e destacou que sua defesa está registrada nas peças apresentadas à Justiça. Para a empresa, o uso dos textos é transformador e compatível com a legislação norte-americana de direitos autorais.
OpenAI e Microsoft alegam uso justo
OpenAI e Microsoft sustentam que o treinamento dos modelos com conteúdos disponíveis na internet é protegido pelo fair use, princípio da legislação dos Estados Unidos que permite determinados usos de obras protegidas. As empresas argumentam que os sistemas não reproduzem simplesmente os artigos originais, mas transformam grandes volumes de informação para aprender padrões de linguagem e gerar novas respostas.
A OpenAI afirma que o caso não se resume a um conflito entre autoria humana e inteligência artificial. Em sua defesa, diz que a tecnologia pode beneficiar diferentes setores e que seus produtos são desenvolvidos para fortalecer a criação humana e o jornalismo. A empresa também cita acordos firmados desde 2023 com veículos e organizações do setor para apoiar coberturas locais, ampliar públicos e criar ferramentas para redações.
Processo segue na Justiça dos Estados Unidos
A ação foi aberta pelo New York Times no fim de 2023 e depois recebeu a adesão de outros 11 veículos. Os autores afirmam que a coleta e o uso de artigos em bancos de dados e na internet ocorreram sem licença, causando prejuízos a empresas jornalísticas e desvalorizando trabalhos protegidos por direitos autorais.
A OpenAI informou que apresentou pedidos de julgamento sumário em 4 de setembro de 2026 e que o tribunal reduziu o escopo do processo ao rejeitar parte das alegações do jornal. O caso segue sob análise da Corte Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York, com o juiz Sidney H. Stein responsável por avaliar os pedidos das partes.
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