Governo Trump defende OpenAI em disputa contra o New York Times
O Departamento de Justiça dos EUA entrou no processo movido pelo New York Times e outros autores contra a OpenAI. A pasta argumenta que limitar o uso de conteúdo protegido no treinamento de inteligência artificial pode prejudicar a inovação, a competitividade americana e a segurança nacional.

Divulgação
Na quarta-feira, 2 de setembro de 2026, o governo de Donald Trump manifestou apoio à OpenAI no processo judicial movido pelo The New York Times e por outros autores e veículos de comunicação. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou uma declaração de interesse ao juiz responsável pelo caso em Manhattan, defendendo que as empresas americanas de inteligência artificial precisam de espaço para desenvolver a indústria sem barreiras excessivas.
A intervenção ocorre em meio a uma disputa que envolve questões centrais sobre direitos autorais, inovação tecnológica e o futuro do jornalismo. Além do jornal, participam da ação veículos pertencentes à Alden Global Capital, autores de livros e organizações jornalísticas sem fins lucrativos, como o The Intercept.
Segurança nacional e competitividade
Para o Departamento de Justiça, uma decisão que impeça o treinamento de grandes modelos de linguagem com material protegido por direitos autorais poderia ameaçar a segurança nacional e dar vantagem competitiva a adversários estrangeiros. A pasta também afirma que a medida prejudicaria o progresso científico, a criação de novas tecnologias e a prosperidade dos Estados Unidos.
O governo sustenta que a OpenAI e outras empresas do setor precisam continuar competitivas para manter a liderança americana em inteligência artificial. A argumentação coloca o caso no centro de uma disputa maior entre a proteção aos criadores e o avanço acelerado de tecnologias capazes de processar enormes volumes de informação.
Uso justo e treinamento de modelos
Na análise apresentada à Justiça, a administração Trump defende uma interpretação ampla do conceito de uso justo. O documento afirma que o treinamento de modelos de linguagem é transformador, pois os sistemas não apenas reproduzem obras originais, mas aprendem padrões para realizar tarefas diferentes, como escrever, traduzir, resumir e resolver problemas.
O Departamento de Justiça reconhece que o ChatGPT pode reproduzir trechos ou materiais protegidos em algumas situações. Ainda assim, sustenta que o processo deve avaliar principalmente o treinamento dos modelos, e não todos os usos possíveis de seus resultados. Para a pasta, eventuais reproduções indevidas devem ser separadas do funcionamento geral da tecnologia.
Críticas de jornalistas e autores
O The New York Times rejeitou a posição do governo e afirmou que a administração escolheu defender grandes empresas de tecnologia em detrimento de criadores americanos. O jornal defende que as companhias de IA devem pagar de forma justa pelo conteúdo utilizado em seus produtos, conforme exige a legislação de direitos autorais.
Advogados que representam o The Intercept também criticaram a intervenção. Para eles, aceitar a tese do governo poderia transferir sem compensação os direitos de propriedade intelectual de organizações de notícias para empresas de tecnologia. A discussão deve influenciar não apenas o caso da OpenAI, mas também outras ações envolvendo treinamento de inteligência artificial com obras jornalísticas, livros e produções culturais.
Impacto sobre pequenas redações
O Departamento de Justiça argumenta ainda que uma vitória do New York Times poderia prejudicar pequenas editoras e redações independentes. A pasta afirma que ferramentas baseadas em grandes modelos de linguagem ajudam veículos com menos recursos a produzir imagens, organizar informações e competir com empresas maiores.
O governo também alerta que a exigência de licenças para todo o conteúdo usado no treinamento poderia favorecer grandes empresas de tecnologia capazes de pagar pelos acordos. Na avaliação da pasta, isso criaria barreiras de entrada e fortaleceria um possível oligopólio no desenvolvimento de modelos de linguagem.
O caso agora coloca o Judiciário diante de uma decisão com efeitos amplos. De um lado, estão autores e veículos que pedem remuneração pelo uso de seu trabalho. De outro, empresas e setores do governo que defendem maior liberdade para treinar sistemas de inteligência artificial em larga escala.
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