Gasolina ou etanol? Entenda como o Inmetro testa emissões de carros flex
A forma como carros bicombustíveis são submetidos a testes de consumo e emissões pelo Inmetro envolve a utilização de uma mistura específica de combustíveis para simular a realidade dos postos brasileiros.

Divulgação
A regulamentação dos testes de emissões e consumo de veículos flex no Brasil é um processo detalhado, que busca espelhar o uso real dos automóveis pelos consumidores. O Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), gerido pelo Inmetro, é o principal responsável por estabelecer os parâmetros de eficiência energética e níveis de poluentes para a homologação de carros no país. Essas diretrizes são fundamentadas em normas técnicas elaboradas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Combustíveis de teste definidos por normas e resoluções
A ABNT, por sua vez, baseia suas especificações nas resoluções da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Essas resoluções ditam as propriedades físico-químicas que os combustíveis devem apresentar para serem utilizados nos ensaios oficiais. O objetivo é garantir que os resultados dos testes sejam confiáveis e representativos do desempenho dos veículos em condições de uso cotidianas, considerando as particularidades do mercado brasileiro.
O 'gasool' e a simulação do cenário real
Para os veículos bicombustíveis, o Inmetro utiliza o chamado 'gasool' ou 'gasohol', uma mistura de gasolina e etanol. A escolha dessa composição visa simular o cenário de abastecimento que o motorista encontra nos postos de combustível. Essa abordagem permite avaliar o desempenho do veículo em diferentes condições de uso, considerando a variação na proporção dos combustíveis que pode ocorrer no tanque.
Proporção de combustíveis nos testes e a realidade do mercado
As resoluções da ANP, como a nº 6/2005 para a gasolina e a nº 5/2005 para o etanol (anidro ou hidratado), estabelecem as bases para a formulação dos combustíveis de teste. Embora não haja uma porcentagem exata e fixa definida para a mistura de gasolina e etanol nos testes de carros flex, o padrão para testes em carros exclusivamente a gasolina utiliza uma proporção de 78% de gasolina e 22% de etanol (E22). Contudo, a gasolina comum comercializada nos postos brasileiros pode conter até 32% de etanol (E32) desde agosto, o que indica que a mistura utilizada nos testes, o 'gasool', pode, em alguns casos, simular um cenário de maior teor de etanol do que a gasolina pura.
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