sexta-feira, 04 de setembro de 2026
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Agro & Negócios

Trigo recua em Chicago com lucros após alta prolongada

Mercado global de grãos registra queda nos preços do trigo, milho e soja em Chicago, com realização de lucros e pressões geopolíticas no Mar Negro. Brasil pode aumentar importações do cereal.

Wanessa·
Trigo recua em Chicago com lucros após alta prolongada

Queda nos contratos futuros de trigo

O contrato futuro de trigo com vencimento em dezembro encerrou o pregão de quarta-feira (02) com queda de 1,09%, cotado a US$ 7,74 por bushel na Bolsa de Chicago. A realização de lucros após uma sequência de ganhos expressivos dominou a sessão, mas o cenário internacional segue tenso. Os riscos logísticos no Mar Negro, agravados por ataques recentes à região de Odessa, mantêm a oferta global sob vigilância constante. O sistema ferroviário ucraniano, congestionado, segue dificultando o escoamento da produção, enquanto as exportações russas ganham ainda mais relevância na pauta dos investidores.

O mercado, entretanto, mostrou-se vulnerável às realizações de posições compradas, especialmente após incorporar um prêmio de guerra considerado excessivo. A guerra entre Rússia e Ucrânia, que já afeta portos e navios, continua a ditar a volatilidade do setor, com impactos diretos na formação de preços globais.

Milho e soja também caem, mas por motivos distintos

O milho não escapou da tendência de baixa, com o contrato para dezembro recuando 0,46% e fechando a US$ 5,43 por bushel. A queda esteve associada à realização de lucros no trigo, já que ambos os grãos costumam se movimentar em sintonia em momentos de incerteza logística. Além disso, investidores buscaram ajustes técnicos, enquanto previsões de clima mais quente nos Estados Unidos levantaram dúvidas sobre o desenvolvimento das lavouras. No Brasil, o setor agrícola direciona esforços para infraestrutura e crédito, mas a industrialização do milho — impulsionada por etanol e ração animal — amplia a demanda interna e reforça a necessidade de garantir estoques estáveis.

A soja, por sua vez, também fechou em baixa, com o contrato para novembro recuando 0,57% e atingindo US$ 13,10 por bushel. A queda refletiu um ajuste de posições após uma sequência de dias com suporte do clima, da demanda e da volatilidade generalizada no mercado de grãos. A consultoria Royal Rural destacou que a pressão vendedora foi impulsionada pela necessidade de recompor carteiras após altas significativas.

Brasil pode aumentar importações de trigo

Apesar da retração nos preços internacionais, o trigo permanece entre as commodities de maior valorização recente. A Agrinvest aponta que o Brasil pode ampliar as importações do cereal, dependendo das condições de oferta e demanda doméstica. A análise considera tanto os riscos geopolíticos quanto a necessidade de suprir eventuais gaps na produção local, especialmente em um cenário de câmbio favorável e estoques ajustados.

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