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Trigo recua em Chicago após forte alta com lucros e riscos geopolíticos

Contrato de dezembro do cereal cai 1,09% nos EUA, mas tensão no Mar Negro mantém pressão sobre oferta global. Brasil pode aumentar importações diante do cenário.

Wanessa·
Trigo recua em Chicago após forte alta com lucros e riscos geopolíticos

Queda após ganhos expressivos

O contrato futuro de trigo com vencimento em dezembro encerrou o pregão em queda de 1,09% em Chicago, chegando a US$ 7,74 por bushel. O recuo veio após uma sequência de fortes altas, quando o cereal atingiu patamares próximos a máximas de três anos e meio, impulsionado pela incerteza sobre as exportações do Mar Negro.

A realização de lucros por parte dos investidores, que haviam incorporado um prêmio de guerra considerado elevado, foi o principal fator para a correção do preço. Mesmo assim, o cenário internacional segue tenso: a Rússia e a Ucrânia mantêm suas infraestruturas logísticas sob pressão, com relatos de congestionamentos ferroviários na Ucrânia e novos ataques na região de Odessa, aumentando os riscos para o fluxo global de grãos.

Impacto na oferta global e nas importações brasileiras

A guerra prolongada entre os dois países segue como um dos principais vetores de volatilidade no mercado. Enquanto a Rússia mantém sua capacidade de exportação, a Ucrânia enfrenta dificuldades para escoar sua produção, o que reforça a atenção sobre os estoques mundiais. Nesse contexto, o Brasil, mesmo com safra recorde interna, pode ampliar suas importações do cereal nos próximos meses, dependendo da demanda doméstica e da disponibilidade de estoques globais.

Milho e soja também recuam com ajustes de mercado

O milho, negociado a US$ 5,43 por bushel para dezembro, caiu 0,46% no dia, influenciando tanto por realização de lucros quanto por previsões de clima mais quente nos EUA, que podem impactar o desenvolvimento das lavouras. No Brasil, o setor foca em investimentos em infraestrutura e crédito, enquanto a industrialização do cereal — com destaque para etanol e ração animal — eleva a necessidade de garantir oferta constante ao longo do ano.

A soja, por sua vez, também cedeu 0,57%, fechando a US$ 13,10 por bushel para novembro. A queda reflete ajustes de posições após sessões de forte volatilidade, sustentadas por fatores climáticos, demanda aquecida e movimento conjunto entre os grãos em momentos de incerteza logística.

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