Safra de pêssegos no Rio Grande do Sul deve ser a pior em 15 anos
Excesso de chuva, umidade, granizo e geadas devem reduzir pela metade a produção de pêssegos no Rio Grande do Sul. A região de Pelotas é a mais afetada, com perdas que podem chegar a 100% em áreas atingidas pelo granizo.

Divulgação
A safra gaúcha de pêssegos de 2026/27 deve registrar uma das maiores quebras dos últimos 15 anos. O excesso de chuva e umidade durante a floração, somado à ocorrência de granizo e geadas, prejudicou a formação dos frutos em diferentes regiões produtoras. A área de Pelotas, principal polo destinado ao abastecimento da indústria de conservas e doces, concentra os danos mais severos.
Quebra pode superar 50%
Produtores da Associação de Produtores de Pêssego da Região de Pelotas estimam que a colheita fique abaixo de 25 milhões de quilos. No ciclo anterior, a produção regional alcançou aproximadamente 50 milhões de quilos. Em propriedades atingidas diretamente pelo granizo, as perdas podem variar entre 80% e 100%, comprometendo toda a produção.
O principal fator, porém, foi o inverno marcado por poucos dias de sol e elevada umidade. Julho e agosto coincidiram com uma fase crítica dos pessegueiros, quando ocorre a floração e o pegamento dos frutos. As condições favorecem doenças e dificultam a polinização, provocando o abortamento e a queda antecipada dos pêssegos.
Raleio deixa de ser rotina nos pomares
Nas safras normais, os produtores realizam o raleio, retirando parte dos frutos dos galhos para melhorar o tamanho e a qualidade dos pêssegos restantes. Neste ano, a prática quase não será necessária. Muitas árvores já estão derrubando naturalmente os frutos inviáveis, sinal evidente da redução no potencial produtivo.
A Emater avalia que a perda na região de Pelotas deve ficar acima de 50% em comparação com 2025. O resultado pode afetar o volume disponível para processamento e pressionar custos da cadeia de doces, compotas e pêssegos em calda, especialmente por causa da concentração da produção industrial no local.
Serra gaúcha acompanha a safra com cautela
Na Serra, onde predomina o pêssego de mesa, os prejuízos ainda são menores. Pinto Bandeira reúne cerca de 1 mil hectares cultivados e aproximadamente 250 famílias produtoras. Embora algumas áreas tenham enfrentado granizo e geadas, a expectativa é de uma colheita inferior à do ano passado, mas ainda considerada relevante.
O principal temor agora é a previsão de frio mais intenso na segunda metade de setembro. Novas geadas podem atingir frutos em desenvolvimento, enquanto a possibilidade de temporais e granizo continua preocupando os produtores. A influência esperada de um El Niño mais intenso aumenta a necessidade de monitoramento climático até o fim da colheita.
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