Produtores gaúchos pedem medidas contra risco de falta de diesel no plantio
A Farsul solicitou à ANP fiscalização da distribuição de diesel no Rio Grande do Sul diante de novos atrasos no abastecimento rural. Entidade alerta que o problema pode prejudicar o plantio da safra de verão e elevar os custos da produção.

Divulgação
Entidade pede fiscalização da ANP
A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) protocolou um ofício ao diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Artur Watt Neto, cobrando providências diante de relatos de atrasos e restrições na entrega de diesel a produtores rurais. A preocupação ocorre no início do plantio da safra de verão, período que exige uso intenso de máquinas e transporte nas lavouras.
Problema voltou a afetar o campo
A situação reacende alertas registrados no começo do ano, durante a colheita de arroz e soja. Naquele período, parte das propriedades enfrentou dificuldades para receber combustível mesmo com a existência de estoques no estado. As limitações chegaram a atingir cerca de 170 municípios, provocando paralisação de operações agrícolas e preços de até R$ 9 por litro em algumas transações.
Alta do diesel pressiona custos
Levantamentos da assessoria econômica da Farsul indicam que a valorização de 21,1% no preço do diesel S10, de R$ 5,97 para R$ 7,23 por litro, pode acrescentar R$ 612,2 milhões aos custos diretos das operações mecanizadas nas principais culturas gaúchas. Em um cenário mais crítico, com o combustível vendido a R$ 9 por litro, as perdas potenciais podem alcançar R$ 1,47 bilhão.
Atrasos podem reduzir área plantada
O risco é considerado maior porque o plantio de verão depende de uma janela climática limitada. A falta de diesel pode atrasar a preparação do solo, a semeadura e o transporte de insumos, reduzindo a área cultivada e afetando a produtividade. O aumento do combustível também eleva os gastos com escoamento da produção, criando pressão sobre toda a cadeia alimentar.
Entidade cobra transparência dos estoques
A Farsul pede fiscalização das distribuidoras que atuam no Rio Grande do Sul e a divulgação regionalizada de estoques, pedidos recebidos, volumes entregues, recusas e prazos de atendimento. A entidade também solicita esclarecimentos sobre os critérios de distribuição, a apuração de possíveis retenções de produto e informações sobre o calendário de importações.
A subvenção federal de R$ 1 por litro anunciada em 9 de setembro é avaliada como uma medida relevante, mas que precisa se transformar em oferta regular e preços menores. A entidade cobra ainda os resultados das apurações da crise ocorrida em março e abril e a criação de um plano de contingência para os períodos de plantio e colheita.
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