Preços pagos aos produtores rurais registram avanço em setembro, aponta índice
O Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA) indicou uma alta de 3,62% em setembro, impulsionada principalmente por grãos e pecuária. O resultado mensal representa um respiro para os produtores após um período de volatilidade.

Divulgação
Os produtores rurais de todo o país, incluindo os goianos que formam a espinha dorsal do agronegócio, tiveram um motivo para comemorar em setembro. O Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA), levantado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), registrou um aumento nominal de 3,62% no mês, em comparação com agosto. Este avanço, que chega como um importante respiro para o setor, foi majoritariamente impulsionado pelo bom desempenho dos grãos, seguido pela pecuária e pelo grupo cana e café, que conseguiram compensar a queda observada nos hortifrutícolas.
Grãos e pecuária puxam a alta
A força motriz por trás da valorização em setembro foi o segmento de grãos, que sozinho viu seus preços subirem 6,58%. A pecuária também contribuiu positivamente, com um avanço de 2,08%, enquanto cana e café tiveram uma elevação mais modesta de 0,15%. Entre os produtos que mais se destacaram com altas significativas, estão o algodão, arroz, milho, soja e trigo, pilares da safra brasileira. No setor pecuário, o boi gordo, frango vivo, suíno vivo e leite também apresentaram valorização. Mesmo alguns hortifrutícolas, como batata e tomate, e a cana-de-açúcar, viram seus valores crescerem. Em contrapartida, produtos como ovos, banana, laranja, uva e café exerceram influência baixista, demonstrando a complexidade e as variações setoriais dentro do agro.
Preços agropecuários superam os industriais no cenário nacional
Um dado relevante que ressalta a performance do setor agropecuário em setembro vem da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O indicador IPA-OG-DI, que acompanha a variação de preços no atacado, registrou uma alta de 1,57% no mesmo período. Isso significa que, em setembro, os preços pagos aos produtores rurais avançaram em um ritmo superior aos preços industriais, um cenário que tende a melhorar a rentabilidade e a confiança no campo. Essa dinâmica é crucial para a economia do interior de Goiás, onde o agronegócio é o principal motor, influenciando diretamente a capacidade de investimento e o poder de compra da população local.
Cenário internacional e a influência do câmbio
Olhando para o mercado global, os preços dos alimentos em dólares também apresentaram um crescimento, subindo 1,48%, de acordo com o índice do Fundo Monetário Internacional (FMI). A valorização do real frente ao dólar, ainda que discreta (0,16%), teve um papel interessante nesse cenário. Medidos em reais, os preços internacionais dos alimentos registraram uma alta de 1,31%. Essa interação entre o mercado externo e a taxa de câmbio é um fator constante de atenção para os produtores que lidam com commodities, impactando suas estratégias de venda e exportação.
Desafios persistentes na comparação anual
Apesar do bom desempenho de setembro, a perspectiva anual mostra que os desafios persistem para o setor. Na comparação entre janeiro e setembro de 2026 com o mesmo período do ano anterior, o IPPA/Cepea ainda aponta uma queda acumulada de 6,56%. As retrações mais significativas foram observadas nos grupos de cana e café (-20,90%), hortifrutícolas (-8,58%), grãos (-3,49%) e pecuária (-2,54%). No mesmo intervalo, enquanto o IPA-OG-DI acumulou alta de 1,24%, os preços internacionais dos alimentos em reais registraram uma queda de 8,39%, mesmo com uma leve alta de 0,75% em dólares. A taxa de câmbio, por sua vez, acumulou uma variação de -8,96%, refletindo uma valorização do real que, embora possa baratear importações, impacta as receitas de exportação dos produtores.
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