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Agro & Negócios

Preços do cacau caem com oferta global reforçada e embarques na África

Queda de 4,54% na Bolsa de Nova York reflete estoques confortáveis e aumento de 19% nos embarques da Costa do Marfim, enquanto café, açúcar e algodão também mostram sinais de ajustes nos mercados.

Wanessa·
Preços do cacau caem com oferta global reforçada e embarques na África

A pressão sobre as cotações futuras do cacau na Bolsa de Nova York ganha força com a expectativa de aumento na oferta global. Nesta quarta-feira (02), o contrato para dezembro encerrou a sessão cotado a US$ 6.273 por tonelada, registrando recuo de 4,54% — segunda queda consecutiva após ganhos expressivos na semana anterior.

Estoques robustos e clima favorável impulsionam mercado

A dinâmica recente é marcada pela confiança dos agentes em relação ao abastecimento global. A maior processadora de cacau do mundo, Barry Callebaut AG, destacou que o mercado está bem abastecido, o que permite uma gestão mais eficiente de riscos mesmo diante de eventos climáticos como o El Niño. Essa estabilidade nos estoques reduz a volatilidade e contribui para a queda nos preços.

Costa do Marfim impulsiona oferta africana

Dados recentes revelam um avanço significativo na produção da Costa do Marfim, segundo maior produtor mundial de cacau. Os embarques atingiram 2,14 milhões de toneladas até o momento, um crescimento de 19% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa expansão reforça a tendência de maior disponibilidade do produto no mercado internacional, exercendo pressão adicional sobre as cotações.

Café arábica atinge mínima de cinco meses

Enquanto o cacau recua, o mercado de café arábica também apresenta sinais de ajustes. O contrato para dezembro fechou com desvalorização de 3,67%, negociado a US$ 2,98 por libra-peso — a menor cotação dos últimos cinco meses. A colheita brasileira, em andamento, mantém os estoques lotados, reduzindo a necessidade de novos carregamentos e incentivando os produtores a postergar vendas na expectativa de preços mais elevados.

Açúcar se valoriza com déficit global projetado

Em contraste, o açúcar acumula três dias consecutivos de alta, fechando em 18,70 centavos de dólar por libra-peso após valorização de 1,85%. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta uma redução de 200 mil toneladas na safra 2026/27, enquanto a União Europeia estima queda de 19% na produção do bloco para o mesmo período. As revisões para baixo nas estimativas de safra, tanto na Europa quanto em outras regiões, reforçam o cenário de escassez e sustentam os preços em patamares elevados.

Algodão e suco de laranja mostram movimentos distintos

O contrato futuro do algodão para dezembro registrou queda de 2,86%, cotado a 88,93 centavos por libra-peso. A baixa foi influenciada pela realização de lucros após uma sequência de altas e pelo fortalecimento do dólar, que diminui o apetite dos investidores por commodities agrícolas. Já o suco de laranja para novembro encerrou a sessão em alta de 2,93%, negociado a US$ 1,49 por libra-peso, refletindo um movimento pontual de ajustes nos mercados de bebidas.

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