Preço do whey protein dispara e mexe com a indústria láctea
Aumento na demanda, impulsionado por novos hábitos alimentares e medicamentos emagrecedores, aliado à oferta limitada de soro e capacidade de processamento, explica a escalada nos valores do ingrediente.

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Nos últimos meses, o mercado de suplementos proteicos tem testemunhado uma verdadeira revolução nos preços. O whey protein, ingrediente chave para quem busca aumentar o teor de proteína em sua dieta, viu seus valores dispararem, impactando diretamente a indústria láctea. Tanto o WPC (whey protein concentrado) quanto o WPI (whey protein isolado), obtidos a partir do soro do leite, tornaram-se significativamente mais caros, refletindo uma transformação profunda no setor.
Demanda crescente impulsiona valorização do whey protein
A busca por produtos com alto teor proteico ganhou força considerável nos últimos anos, um movimento que se intensificou após a pandemia de covid-19 e recebeu um novo impulso com a popularização de medicamentos emagrecedores. Esses fármacos, ao reduzirem o apetite, levam os consumidores a uma maior preocupação em manter uma ingestão proteica adequada para preservar a massa magra. Essa nova realidade expandiu o leque de produtos que incorporam proteínas de alto valor, indo além das tradicionais barras e bebidas lácteas para alcançar snacks, chocolates, pães e até mesmo bebidas alcoólicas. Pesquisas indicam que uma parcela significativa dos lares brasileiros já consome algum tipo de suplemento, ampliando o público consumidor de whey protein para além dos frequentadores de academias.
Oferta de soro e capacidade de processamento: gargalos na cadeia produtiva
O whey protein é um subproduto da fabricação de queijos, e sua produção está intrinsecamente ligada à disponibilidade de soro. No Brasil, o crescimento na produção de queijos tem sido modesto, com um aumento anual estimado entre 4% e 5%, enquanto o mercado de bebidas proteicas exibe crescimento de dois dígitos. Esse descompasso entre a demanda crescente por proteína concentrada de soro e a oferta limitada de soro como subproduto da produção de queijo gera uma pressão significativa nos preços, um fenômeno que se observa globalmente. Além disso, a capacidade de processamento industrial para transformar o soro líquido em ingredientes de maior valor agregado, como o WPC e o WPI, ainda é limitada no país. Cerca de 70% do whey consumido no Brasil é importado, evidenciando a necessidade de investimentos em infraestrutura para o fracionamento e concentração do soro.
Investimentos e novas fábricas sinalizam futuro com preços mais estáveis
Diante desse cenário de valorização, o setor já começa a reagir com novos investimentos. A expectativa é de que a ampliação da capacidade de processamento de soro, com a construção de novas fábricas, possa gradualmente aliviar a pressão sobre os preços. Empresas como Sooro Renner e Grupo Piracanjuba estão apostando nesse segmento. A tendência é que, com o aumento da oferta e a possível substituição por outras fontes de proteína, os preços se acomodem nos próximos anos, atingindo um novo patamar mais estável. A demanda por produtos proteicos, por sua vez, não deve recuar significativamente, garantindo um mercado aquecido.
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