Preço do boi gordo fica estável na maior parte do Brasil após altas
Mercado registra estabilidade em 22 das 33 regiões monitoradas, enquanto 11 praças seguem com alta. Oferta maior de animais e compras industriais seletivas sustentam o equilíbrio das cotações.

Divulgação
Oferta maior segura o avanço dos preços
O mercado do boi gordo abriu a quinta-feira (24/9) com estabilidade na maior parte do País, depois dos reajustes registrados no dia anterior. A melhora das cotações estimulou pecuaristas a oferecer mais animais, mas os frigoríficos mantiveram um ritmo de compras contido. As indústrias atuaram principalmente para ajustar as escalas de abate até o fim do mês, sem pressão suficiente para ampliar os negócios ou pagar ágio.
Esse movimento revela um mercado ainda dependente da reposição de animais nos frigoríficos, mas com compradores atentos aos custos. A maior disponibilidade de gado diante das ofertas dos produtores ajudou a equilibrar as negociações. Como resultado, os negócios foram fechados dentro das referências praticadas, sem necessidade de novos reajustes generalizados.
Estabilidade predomina, mas altas seguem em 11 praças
Das 33 regiões acompanhadas, 22 permaneceram sem mudança na comparação diária. As outras 11 registraram alta, com avanços concentrados em Mato Grosso, nas regiões de Cuiabá, norte, sudeste e sudoeste do estado; no norte e sul do Tocantins; em Redenção e Marabá, no Pará; no sul de Goiás; no noroeste do Paraná; e no sudeste de Rondônia.
A distribuição dos avanços mostra que a valorização não desapareceu, mas deixou de ser dominante. O comportamento indica um mercado heterogêneo, no qual a necessidade de cada frigorífico para completar o abate e a oferta local de animais continuam determinando a formação dos preços.
Referências permanecem em R$ 355 por arroba
Nas praças de Araçatuba e Barretos, em São Paulo, tomadas como referência pelo setor, a cotação do boi gordo permaneceu em R$ 355 por arroba para pagamento em 30 dias. Os valores do chamado “boi China”, além das cotações de vacas e novilhas, também não apresentaram mudança, confirmando o ambiente de equilíbrio no curto prazo.
Escalas menores alimentam expectativa de novos ajustes
A redução das escalas de abate no fim do mês pode favorecer novas altas pontuais, especialmente para frigoríficos pequenos e médios que encontram mais dificuldade para obter animais. As grandes empresas operam com maior tranquilidade porque contam com fornecedores vinculados a contratos de parceria e, em alguns casos, com confinamentos próprios.
Consumo e proteínas concorrentes limitam o atacado
No varejo atacadista, os preços da carne bovina também permaneceram acomodados. A falta de estímulos mais fortes ao consumo e a competitividade do frango reduzem o espaço para repasses imediatos de aumentos no preço do animal. Assim, mesmo com a possibilidade de ajustes nas cotações do boi gordo, a valorização dos cortes depende da resposta dos compradores.
Na parcial de setembro, apurada até o dia 23, a arroba do boi gordo em São Paulo estava em média a R$ 350,75, enquanto a carcaça casada no atacado paulista era cotada a R$ 362,85. A diferença de R$ 12,10 favoreceu a carne, mas ainda mostra um mercado em que frigoríficos precisam conciliar o custo da matéria-prima com a aceitação dos cortes pelo consumidor.
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