Preço da soja sobe no Brasil com o dólar, mas vai contra Chicago
A valorização do dólar impulsionou o preço da soja em boa parte das praças brasileiras, mesmo com a queda das cotações em Chicago. O movimento reforça a competitividade das exportações nacionais e sustenta os preços internos.

Divulgação
O preço da soja avançou em grande parte das praças brasileiras nesta quinta-feira (24/9), acompanhando a valorização do dólar frente ao real. O movimento ocorreu na contramão do mercado internacional, que registrou queda nas cotações da oleaginosa na Bolsa de Chicago.
Dólar sustenta as cotações no mercado interno
O indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), calculado com base nos negócios realizados no Porto de Paranaguá, no Paraná, fechou o dia a R$ 161,84 por saca de 60 quilos. A alta foi de 0,12% na comparação diária. No acumulado de setembro, a valorização já chega a 1,51%.
A força do câmbio favorece as exportações brasileiras porque aumenta a paridade de preços entre o mercado interno e o exterior. Com isso, mesmo diante de uma sessão fracamente negativa em Chicago, os negócios realizados no Brasil conseguiram manter ritmo de valorização.
Entre as 38 regiões monitoradas pela AgRural, 19 registraram alta nos preços da soja. Seis praças apresentaram queda, enquanto outras 13 permaneceram estáveis. O resultado mostra um mercado doméstico resiliente, sustentado principalmente pelos diferenciais oferecidos nos portos exportadores.
Chicago opera com cautela sobre a China
Na Bolsa de Chicago, o contrato de soja para novembro, o mais negociado, recuou 0,04% e foi cotado a US$ 13,17 por bushel. Para janeiro de 2027, o grão encerrou a sessão a US$ 13,32 por bushel, queda de 0,13%.
O mercado internacional acompanha os desdobramentos comerciais entre Estados Unidos e China, especialmente após a reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping. A expectativa por anúncios relacionados às compras chinesas de soja americana não se concretizou até o fechamento da sessão.
Caso não haja novas definições comerciais, a atenção do mercado volta-se para o avanço da colheita nos Estados Unidos e para o comportamento do dólar. A valorização da moeda americana tende a dificultar as exportações dos grãos americanos, ao mesmo tempo em que fortalece a competitividade do produto brasileiro.
Portos brasileiros mantêm prêmios positivos
Os portos do Brasil já apresentam prêmios de exportação entre US$ 1,35 e US$ 1,40 acima das cotações de Chicago. O dólar à vista fechou em alta de 0,48%, cotado a R$ 5,1930, reforçando o interesse dos exportadores pela soja nacional.
Nas principais praças produtoras, a saca de 60 quilos era negociada a R$ 157,50 em Ponta Grossa, no Paraná, e R$ 153 em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Em Sorriso, Mato Grosso, o preço chegava a R$ 140,50, enquanto em Dourados, Mato Grosso do Sul, era de R$ 146,50.
Rio Verde, em Goiás, registrava cotação de R$ 151 por saca. Em Uberaba, Minas Gerais, o valor era de R$ 156. Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, e Balsas, no Maranhão, praticavam preço de R$ 146.
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