Tarifa dos EUA reduz produção de madeira no Brasil em 2025
A produção brasileira de madeira em tora para usos diferentes da indústria de papel e celulose caiu 9,8% em 2025, atingindo 59,2 milhões de metros cúbicos. A retração foi influenciada pela elevação de tarifas imposta pelos Estados Unidos, que reduziu a competitividade das exportações brasileiras.

Divulgação
Produção recua 9,8%
A produção brasileira de madeira em tora destinada a usos diferentes da indústria de papel e celulose caiu 9,8% em 2025. O volume produzido ficou em 59,2 milhões de metros cúbicos, conforme dados da Pesquisa da Extração Vegetal e da Silvicultura divulgados pelo IBGE. O resultado registra uma retração relevante em um segmento que depende tanto do consumo interno quanto da venda ao exterior.
Tarifas reduzem espaço no mercado americano
O recuo está diretamente relacionado à primeira elevação de tarifas aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros em 2025. Os norte-americanos figuram entre os principais compradores da madeira em tora fora do fluxo voltado à produção de papel e celulose. Com a taxação mais alta, os produtos brasileiros ficaram menos competitivos no destino, pressionando as exportações e levando produtores a reduzirem o volume ofertado.
Produção se ajusta à demanda
Carlos Alfredo Barreto Guedes, pesquisador do IBGE, explicou que a queda na procura externa teve efeito imediato sobre a produção. Em vez de manter o mesmo ritmo de extração e enfrentar estoques sem venda, parte dos produtores ajustou suas atividades ao novo cenário comercial. Essa reação mostra como mudanças na política tarifária de um único comprador relevante podem alterar decisões produtivas dentro do Brasil.
Sinal de alerta para o setor
O resultado evidencia a vulnerabilidade do setor às barreiras comerciais e à instabilidade nas relações econômicas internacionais. Quando um mercado estratégico impõe custos adicionais, a cadeia precisa buscar alternativas, diversificar destinos ou absorver parte da produção internamente. Essas mudanças, porém, exigem tempo e nem sempre compensam a perda de competitividade no curto prazo.
Produção menor, mas ainda expressiva
Mesmo após o recuo, os 59,2 milhões de metros cúbicos produzidos revelam a dimensão do segmento madeireiro brasileiro. Ainda assim, a queda de 9,8% aponta que o ano foi marcado por condições externas desfavoráveis. O desempenho reforça a necessidade de acompanhar não apenas o volume produzido, mas também o comportamento das exportações, os preços e a capacidade de realocação da madeira em outros mercados.
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