Pequenos produtores do RS iniciam nova safra com R$ 8,5 bilhões em dívidas
Após anos de perdas provocadas por secas, enchentes e preços desfavoráveis, pequenos produtores do Rio Grande do Sul iniciam a nova safra de verão com dificuldades para investir. Dívidas do Pronaf somam R$ 8,5 bilhões, mas apenas parte do valor pode ser renegociada.

Divulgação
Pequenos produtores rurais do Rio Grande do Sul iniciam a nova safra de verão sob forte pressão financeira. Depois de enfrentar anos consecutivos de quebras na produção, causadas por estiagens, excesso de chuvas e instabilidade nos preços, muitas famílias chegam ao novo ciclo sem reservas para custear o manejo adequado das lavouras.
Dívidas do Pronaf somam R$ 8,5 bilhões
Levantamento da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul estima em R$ 8,5 bilhões o endividamento de agricultores familiares e pecuaristas enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o Pronaf. Desse total, aproximadamente R$ 3 bilhões, ou 35%, podem ser renegociados conforme a Medida Provisória 1.376/2026, publicada pelo governo federal. O restante continua pressionando o orçamento das propriedades.
Cinco anos de perdas esgotaram as reservas
A situação é especialmente crítica no oeste gaúcho. Entre cerca de 1,5 mil agricultores familiares representados pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tupanciretã e Jari, 80% enfrentam grave crise financeira e aumento das dívidas. Produtores relatam uma sequência de cinco anos marcada por redução na produção, seja pela falta de chuva, pelo excesso de água ou pela queda na rentabilidade.
Com os prejuízos sucessivos, muitas famílias consumiram as economias que antes funcionavam como garantia para a safra seguinte. Agora, precisam escolher quais despesas podem ser mantidas e quais investimentos serão adiados. A redução no uso de fertilizantes, defensivos e serviços essenciais pode diminuir a produtividade e comprometer os resultados mesmo em uma temporada com condições climáticas mais favoráveis.
Crise provoca abandono do campo e demissões
O endividamento também produz efeitos sociais. Produtores que antes dependiam da propriedade para sustentar a família começam a abandonar a atividade e procurar trabalho assalariado. O problema é que o mercado de emprego na região também está saturado, deixando muitas famílias sem alternativas estáveis de renda.
Propriedades maiores já registram demissões porque produtores que costumavam contratar trabalhadores não conseguem mais manter os custos da atividade. O movimento reduz a circulação de renda nas comunidades rurais e amplia a preocupação com o esvaziamento do campo, especialmente entre famílias que não conseguem acessar crédito em condições compatíveis com sua capacidade de pagamento.
Recuperação da produção não恢复了 rentabilidade
Em Nova Esperança do Sul, o produtor Gabriel Silva enfrenta esse cenário em uma propriedade de 30 hectares dedicada à soja no verão e à pastagem para o gado no inverno. Ele sofreu quebras severas nas safras de 2021/22 e 2022/23, quando a produtividade da soja caiu para médias de 15 e até 5 sacas por hectare.
A safra de 2025/26 trouxe alguma recuperação, favorecida por chuvas mais regulares, mas os ganhos não acompanharam o aumento dos custos. Fertilizantes, herbicidas, inseticidas e fungicidas ficaram mais caros, enquanto o preço da soja não compensou plenamente o esforço financeiro. Como resultado, a margem para investir no manejo ideal ficou praticamente zerada.
Novo ciclo começa com produção reduzida
Para a nova safra, a estratégia de muitos produtores é cortar gastos ao máximo. A redução pode incluir adubação e aplicação de defensivos, medidas que ajudam a preservar caixa no curto prazo, mas aumentam o risco de perdas caso ocorram新的 problemas climáticos ou queda nos preços.
O desafio agora é conciliar a retomada da produção com a recuperação financeira. Para os pequenos produtores gaúchos, a nova safra não representa apenas mais um ciclo agrícola, mas uma tentativa de manter a atividade viva enquanto esperam que clima, custos e mercado voltem a oferecer condições mínimas de planejamento.
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