Nova técnica reduz custos e pode ampliar diagnóstico de tuberculose
Desenvolvida por Embrapa, UFJF e Fhemig, a técnica RRTB elimina a necessidade de equipamentos caros e pode facilitar exames em laboratórios menores, inclusive para casos humanos, animais e alimentos. Patenteada e validada em rotina, a tecnologia ainda depende de análise da Anvisa e de parceiro para produção em escala.

Divulgação
Uma tecnologia desenvolvida pela Embrapa, pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) promete simplificar o diagnóstico da tuberculose. Batizado de RRTB, o método dispensa equipamentos de alto custo, como centrífuga refrigerada e cabine de segurança biológica, e pode levar exames mais acessíveis a laboratórios menores e regiões com menos estrutura.
A técnica recebeu carta-patente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e já alcançou o nível 8 de maturidade tecnológica, após validação em rotina laboratorial. Agora, o Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia da UFJF busca empresas interessadas em licenciar a solução. Antes de chegar à rede de atendimento, porém, o método ainda precisa ser submetido à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Diagnóstico mais simples e acessível
A cultura de amostras clínicas continua sendo referência para acompanhar o tratamento da tuberculose, confirmar a cura e identificar resistência aos medicamentos. O método tradicional de Petroff, no entanto, depende de equipamentos caros e de laboratórios bem estruturados, o que concentra os exames principalmente em grandes centros urbanos.
O RRTB combina o uso de swab com o meio de cultura Löwenstein-Jensen, um dos mais utilizados no Brasil por ter menor custo. Uma solução neutralizadora à base de ácido cítrico, citrato de amônio e citrato de sódio foi desenvolvida para preparar a amostra antes da semeadura. Com isso, a técnica elimina etapas que exigem centrifugação e permite analisar tanto escarro quanto fluidos corporais estéreis, como líquido pleural, ascítico e cérebro-espinhal.
Resultados apontam confiabilidade
Em um estudo-piloto com 77 amostras, o RRTB apresentou sensibilidade de 90,91% e especificidade de 94,34% em comparação com o método de Petroff. Diante do Ogawa-Kudoh, os índices foram de 94,74% e 92,45%, respectivamente. A taxa de contaminação do cultivo também caiu para 1,30%, ante 2,60% e 6,50% observados nos métodos convencionais.
Depois, a técnica foi testada em sete laboratórios de referência de Minas Gerais. A análise de 593 pares de amostras confirmou equivalência diagnóstica e alta confiabilidade em relação ao Ogawa-Kudoh. Os pesquisadores também ampliaram o uso do método para tuberculose extrapulmonar, tuberculose zoonótica causada pela Mycobacterium bovis e detecção do agente em amostras de animais e alimentos.
Potencial para rebanhos e saúde pública
A tuberculose bovina pode causar perdas econômicas nos rebanhos e representar risco de transmissão aos seres humanos, especialmente pelo consumo de produtos de origem animal contaminados, como leite cru e derivados produzidos sem controle adequado. A possibilidade de realizar exames em laboratórios menores pode fortalecer a vigilância sanitária e aproximar o diagnóstico de regiões rurais.
Apesar dos resultados, a disponibilidade comercial ainda depende de licenciamento, produção em escala e autorização sanitária. A transferência da tecnologia para uma empresa ou instituição capaz de distribuir o método será decisiva para que o RRTB seja incorporado à rotina de diagnóstico no Brasil e, futuramente, em outros países.
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