Irmãs capixabas levam o Café Três Anas da tradição familiar às páginas da Forbes
As irmãs Tatiana, Juliana e Poliana Favoreto, do Espírito Santo, transformaram a propriedade cafeeira de quase 70 anos da família em uma marca de café especial, o Café Três Anas. Com uma visão inovadora, que valoriza a qualidade e a história, elas não só modernizaram o negócio, mas também conquistaram reconhecimento nacional, sendo destaque em uma reportagem da revista Forbes que aborda a nova geração de produtores rurais.

Divulgação
No coração do Caparaó capixaba, uma história de empreendedorismo e valorização do campo vem ganhando projeção nacional, chegando até as prestigiadas páginas da revista Forbes. As irmãs Tatiana, Juliana e Poliana Favoreto, herdeiras de uma propriedade cafeeira com quase sete décadas de existência em Muniz Freire, Espírito Santo, são as mentes por trás do Café Três Anas. Elas representam um movimento crescente de jovens produtores que estão reinventando os legados familiares, transformando o grão em uma experiência completa e uma marca de sucesso, reconhecida por sua qualidade e inovação.
A transformação de uma tradição familiar
A jornada do Café Três Anas começou muito antes, com o avô das irmãs, Sebastião de Oliveira, que adquiriu a vasta propriedade. A parcela gerenciada pela família Favoreto hoje abriga cerca de 13 mil pés de café em sete hectares. Embora a cafeicultura fosse uma tradição enraizada, a aproximação das três irmãs com o negócio ganhou um novo ímpeto durante o período da pandemia. Foi nesse momento que Tatiana, Juliana e Poliana perceberam o potencial latente do Caparaó, já conhecido por produzir cafés de alta qualidade, mas que ainda carecia de uma maior valorização no mercado consumidor.
Do apelido à marca: a inovação do Café Três Anas
Para lapidar essa 'pedra bruta', como Tatiana Favoreto descreveu, a família Favoreto implementou uma série de inovações. Tatiana mergulhou no universo dos cafés especiais, buscando capacitação em instituições renomadas como Senar, Sebrae e Incaper. Juliana e seu marido transformaram uma lanchonete em uma moderna cafeteria, criando um novo canal de comercialização. Poliana, por sua vez, dedicou-se a resgatar e aprimorar receitas que contam a história da família. O próprio nome 'Três Anas' surgiu espontaneamente em feiras, quando clientes, confundindo os nomes das irmãs, passaram a chamá-las assim — um apelido que, por sugestão de um consultor do Sebrae, foi inteligentemente transformado na marca que hoje brilha, inclusive com registro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Qualidade reconhecida e expansão estratégica
O investimento em qualidade se reflete nos resultados. Na última colheita, o sítio alcançou 150 sacas, com 35 delas classificadas como cafés especiais, superando os 80 pontos em avaliação. A excelência do Café Três Anas também foi reconhecida em duas edições do Coffee of the Year, figurando entre os 50 melhores do Brasil. Com a aquisição de um novo sítio, a expectativa é duplicar a produção de café especial. A marca já ultrapassou as divisas do Espírito Santo, chegando a cafeterias em São Paulo que valorizam negócios liderados por mulheres. Para Juliana, a venda é mais do que uma transação: “Quando a gente leva a marca Três Anas, não está vendendo só café. A gente está vendendo a história do avô, da nossa mãe, do sítio que tem quase 70 anos. O pacote é um pretexto”, revelando a alma do negócio familiar.
Um modelo para a nova geração do agronegócio
A trajetória das irmãs Favoreto ilustra uma tendência global, conforme apontado pela própria Forbes em sua reportagem “Os Filhos do Café Que Estão Reinventando o Negócio da Família”. Filhos e netos de cafeicultores estão retornando às propriedades com uma nova visão, transformando o café de uma commodity em um produto de valor agregado. Eles investem em torrefação, marcas próprias, comércio eletrônico e relações diretas com o consumidor, seguindo o modelo de sucesso de outros produtores brasileiros e internacionais, como mencionado pela presidente da Organização Internacional do Café, Vanúsia Nogueira. Assim, o Café Três Anas não é apenas um produto, mas um símbolo da reinvenção do agronegócio familiar, onde a tradição se une à inovação para criar um futuro promissor para o café brasileiro.
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