Inovação no Sertão: Casal transforma semiárido baiano em polo de melão de alta tecnologia e sustentabilidade
Em Juazeiro (BA), Marcos Aurélio Garaffa e Fran Terto, sócios na vida e nos negócios, demonstram como paixão e tecnologia podem florescer no semiárido. Com a marca Sweet Valley, eles produzem melão durante 52 semanas por ano, empregando métodos agrícolas de ponta para otimizar recursos, garantir sustentabilidade e traçar um futuro de baixo carbono para a fruta.

Divulgação
Em meio ao desafio do semiárido baiano, na região de Juazeiro, um casal tem demonstrado que a precisão e a tecnologia são os pilares para uma agricultura de sucesso e sustentável. Marcos Aurélio Garaffa e Fran Terto, parceiros há mais de uma década na vida e no campo, são os visionários por trás da Sweet Valley, uma propriedade rural que se dedica à produção ininterrupta de melão, com três safras anuais. Para Fran, engenheira agrônoma, a empresa é mais que um negócio: “A gente nasceu para fazer isso juntos. A Sweet Valley é como um filho nosso”, resume a produtora, evidenciando a paixão que impulsiona o empreendimento.
Da banana ao melão: a virada estratégica
A jornada do casal no agronegócio começou com a aquisição da propriedade entre 2009 e 2010, com a primeira aposta na cultura da banana, que não trouxe os resultados esperados. A virada estratégica aconteceu em 2019, quando buscaram uma cultura de ciclo mais curto para otimizar o fluxo de caixa. O melão, com seu ciclo de aproximadamente 60 dias, surgiu como a solução ideal. O primeiro plantio ocorreu em setembro daquele ano, e em dezembro, a marca Sweet Valley foi criada para comercializar a produção, que hoje abastece grandes mercados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e Pernambuco.
Precisão no campo: tecnologia a serviço da eficiência
A busca por eficiência na Sweet Valley não se limitou à escolha da cultura. No campo, a tecnologia é a bússola que orienta as decisões, da irrigação ao controle fitossanitário. A quantidade de água aplicada, por exemplo, é calculada diariamente com base na evapotranspiração, no coeficiente da cultura e na fase de desenvolvimento das plantas. Esse manejo preciso não apenas reduz o consumo de água, um recurso valioso no semiárido, mas também minimiza a ocorrência de doenças favorecidas pelo excesso de umidade. Além disso, o solo é analisado no mínimo duas vezes ao ano, com avaliações nutricionais e microbiológicas que ditam a adubação e o uso de produtos biológicos. A propriedade ainda conta com uma estação própria para a produção de compostos líquidos, o que gerou uma redução significativa nos custos, passando de R$ 0,32 para R$ 0,17 por litro.
Sustentabilidade que se estende para além da colheita
A preocupação em produzir mais com menos recursos se reflete também na conservação e gestão da propriedade. A fazenda mantém 17,61 hectares de reserva legal e uma Área de Preservação Permanente (APP), demonstrando um compromisso sério com o meio ambiente. As frutas que não atendem aos padrões comerciais são destinadas à alimentação animal para criadores cadastrados, evitando o desperdício. As embalagens vazias de defensivos são encaminhadas para descarte correto por meio da Associação do Comércio Agropecuário do Vale do São Francisco (Acavasf), reforçando a cadeia de responsabilidade ambiental. A automação do sistema de irrigação, por sua vez, não só otimiza o uso da água, mas também reduz a exposição dos trabalhadores ao sol, tornando as operações mais seguras e humanizadas.
Impacto social e reconhecimento verde
A eficiência na Sweet Valley também se traduz em cuidado com as pessoas. A propriedade emprega em média seis pessoas diretamente, mas em períodos de maior demanda, como no transplante de aproximadamente 30.000 mudas por ciclo, a equipe pode chegar a mais de 600 trabalhadores temporários. Todos os colaboradores recebem treinamentos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e capacitações internas em boas práticas agrícolas, operação de máquinas, tecnologia de aplicação, segurança e saúde mental. A relação com a comunidade transcende os limites da fazenda, com a Sweet Valley recebendo moradores dos povoados de São Gonçalo e Correnteza para dias de campo, visitas técnicas e eventos. Esse esforço contínuo na profissionalização e sustentabilidade rendeu frutos: em 2023, a propriedade conquistou diversas certificações e, em 2024, foi agraciada com o Selo Carbono Consciente.
Melão de baixo carbono: a meta do futuro
A certificação de Carbono Consciente é um marco importante. “A partir do inventário de gases de efeito estufa, conseguimos mensurar nossas emissões, entender onde estavam os principais impactos da produção e identificar oportunidades de redução”, explica a agrônoma Fran. A estratégia da Sweet Valley é ambiciosa: alcançar uma redução de aproximadamente 35% nas emissões até o final de 2026 e de impressionantes 85% até o final de 2027, focando na substituição de fertilizantes por alternativas de menor impacto. O objetivo é claro: produzir melão de baixo carbono no semiárido nordestino, não apenas para compensar, mas para diminuir efetivamente a pegada ambiental dos alimentos que chegam à mesa do consumidor, reforçando um modelo de agronegócio que valoriza a inovação, a sustentabilidade e o impacto positivo.
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