Grãos em Chicago: encontro EUA-China não altera cotações e mercado volta atenção à safra
Apesar da expectativa em torno da reunião entre os presidentes dos Estados Unidos e da China, os preços dos grãos na bolsa de Chicago mantiveram-se estáveis. A falta de novidades concretas levou os investidores a aguardarem os próximos desdobramentos, enquanto fatores como a colheita americana e o plantio no Brasil ganham destaque.

Divulgação
Os mercados de grãos na bolsa de Chicago operaram em um cenário de pouca variação nesta sexta-feira (25/9), com os preços se mantendo em um patamar de "zero a zero". A expectativa em torno do encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, não gerou os movimentos esperados pelos investidores, que optaram por uma postura mais cautelosa no encerramento da semana. No pregão da soja, os contratos com vencimento em novembro apresentaram um leve avanço de 0,11%, atingindo US$ 13,19 por bushel.
Falta de novidades impacta o mercado
A analista de inteligência de mercado da StoneX, Isabela Garcia, destacou que parte dos participantes do mercado já antecipava um tom mais moderado no diálogo entre os líderes das duas maiores economias do mundo. Contudo, ainda persistem pendências significativas nas relações comerciais entre os países. Questões como a definição das compras chinesas de US$ 17 bilhões em produtos agrícolas americanos, tarifas de exportação de soja e outros temas fora da esfera estritamente agrícola continuam em aberto. A ausência de anúncios relevantes durante o encontro, que geraria esperança por novas diretrizes, acabou por exercer uma pressão moderada sobre o complexo dos grãos.
Soja reage a declarações e volta a olhar para a safra
Apesar da falta de grandes anúncios, o mercado da soja experimentou uma leve recuperação próximo ao fechamento. Essa movimentação foi impulsionada por declarações do representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, que indicou que produtos agrícolas fazem parte do acordo bilateral e que detalhes adicionais seriam divulgados em breve. No entanto, a expectativa é que, após esses desdobramentos, o foco do mercado da soja retorne para o acompanhamento mais atento do desenvolvimento da colheita nos Estados Unidos. Chuvas em algumas regiões produtoras têm impactado o ritmo das operações de colheita, o que pode gerar estresse no setor de esmagamento devido à menor velocidade de abastecimento.
Milho estável e trigo em baixa
O milho, por sua vez, encerrou a sessão com preços praticamente inalterados. Os contratos com vencimento em dezembro registraram uma pequena alta de 0,14%, alcançando US$ 5,2825 por bushel, refletindo a mesma incerteza que pairou sobre a soja. Já o trigo apresentou sua quarta queda consecutiva em Chicago, com os contratos para dezembro fechando em baixa de 0,53%, a US$ 7,0325 por bushel. Segundo a T&F Consultoria Agroeconômica, a desvalorização do trigo está ligada às fracas exportações americanas recentes, indicando que as dificuldades de suprimento no Mar Negro não estão sendo compensadas pelos Estados Unidos no momento. A consultoria também ressaltou que, apesar das discussões diplomáticas, as restrições ao tráfego marítimo na região do Mar Negro permanecem rigorosas.
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