Café reage com força em Nova York após menor preço em três meses
O preço do café registrou uma notável recuperação na bolsa de Nova York, impulsionado por compras técnicas de investidores e a desvalorização do dólar. A alta sucede um período de três meses de baixa, marcado pela expectativa de uma oferta global abundante e projeções de safra recorde de importantes instituições. Outras commodities, como açúcar, cacau, suco de laranja e algodão, apresentaram movimentos mistos.

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O preço do café registrou um significativo avanço na bolsa de Nova York, interrompendo uma recente tendência de baixa e mostrando sinais de recuperação. Esse movimento veio após o que o mercado interpretou como “compras técnicas” por parte de investidores e foi impulsionado, em parte, pela desvalorização do dólar no cenário internacional. Os lotes com vencimento em dezembro, referência para o mercado de futuros, encerraram a sessão com uma alta de 1,18%, sendo negociados a US$ 2,7860 a libra-peso.
A alta observada representou o maior volume de negociações em uma semana, refletindo um movimento de cobertura de posições vendidas. Isso significa que investidores que apostavam na queda dos preços se viram obrigados a comprar para limitar suas perdas, o que gerou um impulso adicional na valorização da commodity. A fraqueza do dólar em relação a outras moedas globais também tornou o café, que é precificado em dólar, mais acessível para compradores internacionais, estimulando a demanda e contribuindo para a recuperação vista no mercado de futuros.
Antes dessa recuperação, os valores do café em Nova York haviam atingido o menor patamar em três meses. Essa queda foi, em grande parte, motivada pela perspectiva de uma oferta global abundante, que tem sido um fator de pressão sobre os preços. A Organização Internacional do Café (OIC), por exemplo, projetou uma safra recorde do grão, estimada em 183,6 milhões de sacas – um aumento de 4,4% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, a organização apontou uma leve retração no consumo global, de 0,9%, para 180,6 milhões de sacas, exacerbando a preocupação com um possível excedente.
O Brasil, maior produtor e exportador de café do mundo, também contribuiu para essa leitura de alta oferta. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para cima sua estimativa para a produção brasileira de café em 2026, projetando 67,6 milhões de sacas, um aumento significativo em relação à estimativa anterior de 66,7 milhões de sacas. Adicionalmente, as condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras, tanto no Brasil quanto no Vietnã, com chuvas benéficas para os cafezais, reforçaram a expectativa de boas colheitas, pressionando ainda mais os preços para baixo antes da recente reação do mercado.
Açúcar apresenta leve recuo
No segmento do açúcar, o último pregão da semana trouxe um leve recuo. Os contratos de demerara com vencimento em março do próximo ano registraram queda de 0,46%, sendo negociados a 17,50 centavos de dólar a libra-peso. Esse movimento reflete a dinâmica própria desse mercado, que frequentemente reage a fatores como condições climáticas em grandes produtores e a oferta disponível globalmente, além da demanda por biocombustíveis.
Cacau e suco de laranja em alta
Em contraste com o açúcar, o cacau demonstrou um ligeiro avanço na bolsa de Nova York. Os contratos para dezembro valorizaram 0,52%, alcançando US$ 5.619 por tonelada. O suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) também seguiu a tendência de alta na bolsa nova-iorquina, com os lotes para novembro fechando em 0,23% de valorização, cotados a US$ 1,5110 a libra-peso. Essas commodities, embora diferentes em sua natureza e mercado, por vezes reagem a sentimentos gerais de investimento ou a condições específicas de suas safras e estoques.
Algodão fecha em baixa
Encerrando o panorama das commodities, o algodão finalizou a sessão com os preços em queda. Os lotes para entrega em dezembro registraram um recuo de 0,72%, encerrando o dia negociados a 82,71 centavos de dólar a libra-peso. A flutuação nos preços do algodão é frequentemente influenciada por fatores como a demanda da indústria têxtil global, as condições de safra em países como Estados Unidos, Índia e China, e os estoques mundiais da fibra.
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