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Fertilizantes seguem caros e demanda deve cair no Brasil

Relatório da Rabobank indica que preços elevados e endividamento rural mantêm a pressão sobre o mercado de fertilizantes, com queda de 4% na projeção de entrega para 2026. Fosfatados lideram a crise, enquanto potássio registra leve alta.

Wanessa·
Fertilizantes seguem caros e demanda deve cair no Brasil

O mercado de fertilizantes no Brasil enfrenta um ciclo de ajustes em 2026, marcado pela combinação de preços ainda elevados dos insumos e pela fragilidade financeira dos produtores rurais. Segundo o relatório semestral da Rabobank, a recuperação da chamada affordability — indicador que relaciona o custo dos fertilizantes com a renda obtida com as commodities — não foi suficiente para reaquecer a demanda, mesmo após a queda dos preços desde os picos registrados durante o conflito no Oriente Médio.

No Brasil, a revisão para baixo das projeções de entrega de fertilizantes reflete esse cenário adverso. A estimativa do banco passou de 47 milhões de toneladas, divulgada em abril, para 45,1 milhões, abaixo do recorde de 49,1 milhões registrado em 2025. Uma nova revisão para baixo ainda é considerada possível caso as condições no Oriente Médio permaneçam instáveis.

O relatório destaca que, embora o índice global de affordability tenha melhorado desde abril, ele ainda permanece abaixo da linha neutra, classificando os fertilizantes como 'não acessíveis' para os produtores nas principais regiões agrícolas do mundo. A normalização do mercado deve ser lenta, segundo a Rabobank, devido a problemas persistentes de oferta e à volatilidade do setor.

Fosfatados lideram a crise, enquanto potássio resiste

Entre os nutrientes, os fosfatados apresentam a situação mais crítica. O índice de acessibilidade do fosfato está em -0,59, o pior entre os principais fertilizantes, refletindo preços elevados e custos de produção pressionados pelo enxofre. O potássio, por outro lado, registra leve melhora, com importações crescendo 6% no primeiro semestre de 2026, sustentadas por preços internacionais mais estáveis e uma oferta considerada confortável pelo banco.

Brasil reduz alavancagem e adianta compras

O Rabobank avalia que a demanda brasileira entrou em um ciclo de ajuste após o crescimento registrado em 2025. Produtores seguem reduzindo alavancagem e enfrentando níveis recordes de inadimplência, o que mantém o controle de custos como prioridade nas propriedades rurais pelos próximos 18 meses. As importações de fertilizantes já refletem essa retração: no primeiro semestre de 2026, as compras de ureia caíram 31% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as importações de nitrogênio recuaram cerca de 22%. Já o MAP (fosfato monoamônico) teve queda de 24% em volume, embora parte dessa redução tenha sido compensada por um aumento de aproximadamente 40% nas importações de TSP (super fosfato triplo).

O banco destaca que o índice brasileiro de affordability deteriorou rapidamente após o início do conflito, passando de 0,05 em janeiro para -0,14 em abril. Desde então, a acessibilidade da ureia melhorou, atingindo 0,19 em julho, o que deve estimular novas compras nos próximos meses e reduzir parte da defasagem das importações antes da safra de milho safrinha de 2027. Ainda assim, o banco alerta que o atraso nas compras de ureia pode representar um risco para o abastecimento da próxima safrinha.

Cenário global também encolhe

A perda de acessibilidade deve reduzir o consumo de fertilizantes em outros mercados. O Rabobank estima que a demanda global por ureia cairá cerca de 5% em 2026, após as importações mundiais entre janeiro e julho ficarem aproximadamente 20% abaixo do registrado em 2025. Nos fosfatados, a projeção é ainda mais restritiva: queda de 7% na demanda global em 2026 e de mais 5% em 2027, o que representaria três anos consecutivos de retração no consumo. O mercado continua pressionado pela oferta limitada de enxofre e pelos custos elevados de produção.

Apesar da queda nos preços dos fertilizantes em relação aos picos do conflito no Oriente Médio, a melhora não foi acompanhada por uma recuperação equivalente nos preços das commodities agrícolas. Com margens ainda comprimidas, produtores seguem adiando compras, reduzindo doses de aplicação ou substituindo nutrientes sempre que possível.

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