Exportadores esperam retomada das compras de carne bovina do Brasil pela UE em 2027
Exportadores projetam que o Brasil recupere a autorização para vender carne bovina à União Europeia no primeiro semestre de 2027. A retomada depende da reinclusão do país na lista de fornecedores habilitados e da aceitação europeia do protocolo brasileiro de controle de antimicrobianos.

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Retomada depende de nova habilitação
O setor exportador espera que o Brasil volte a vender carne bovina para a União Europeia no primeiro semestre de 2027. A projeção foi apresentada por Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), durante discussão sobre os entraves que mantêm suspensas as vendas de produtos de origem animal para o bloco.
As exportações brasileiras de carne bovina, carne de frango, ovos, mel e pescados estão bloqueadas desde 3 de setembro. A suspensão ocorreu após questionamentos das autoridades europeias sobre a forma como o Brasil controla o uso de antimicrobianos em diferentes cadeias produtivas. Em maio, a Comissão Europeia havia retirado o país da lista de nações autorizadas a fornecer esses produtos.
Ciclo do gado exige planejamento de longo prazo
Mesmo com uma eventual reinclusão do Brasil na lista europeia, a retomada das vendas de carne bovina deve ser mais lenta do que a de carne de frango. Enquanto as aves ficam prontas para o abate em cerca de 40 dias, os bovinos levam de dois a três anos para completar o ciclo produtivo.
As exigências europeias incluem a comprovação do cumprimento das regras sobre antimicrobianos desde o nascimento dos animais. Por isso, frigoríficos que desejam voltar a exportar precisam organizar a rastreabilidade e demonstrar que todo o processo produtivo atende aos critérios definidos pelo bloco.
Protocolo busca restabelecer a confiança
Após a retirada do Brasil da lista de exportadores autorizados, a indústria apresentou ao governo um protocolo privado para o controle de antimicrobianos na cadeia da carne bovina. O documento foi aprovado pelas autoridades brasileiras e estabelece procedimentos que deverão ser adotados por pecuaristas e empresas processadoras.
Ainda assim, produtores que começaram a aplicar o protocolo recentemente podem precisar de dois a três anos para reunir as condições exigidas para exportar. A Abiec defende que a União Europeia aceite o modelo brasileiro e negocie um período de transição, permitindo que diferentes etapas da cadeia se adaptem progressivamente.
Negociação ainda passa por novas avaliações
Uma missão europeia concluída na semana passada incluiu a visita a uma fazenda de gado no Brasil, mas não representou a avaliação definitiva das propriedades e da aplicação do protocolo. A possibilidade de uma nova missão para inspecionar a cadeia da carne bovina também está sendo considerada, sem previsão confirmada.
O impacto da suspensão não se limita às vendas diretas para os países da União Europeia. A lista europeia serve como referência para mais de 20 nações que acompanham a legislação do bloco, especialmente na África e em mercados com forte relação comercial com o continente. Assim, a solução do impasse pode influenciar destinos além do mercado europeu.
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