EUA redistribuem cota do Brasil para exportação de açúcar
O USTR formalizou a redistribuição de 55,993 MTRV de açúcar que deixaram de ser destinados ao Brasil no ano fiscal de 2027. República Dominicana e Filipinas recebem as maiores fatias, enquanto a redução reacende tensões comerciais e diplomáticas entre os dois países.

Divulgação
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) formalizou nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, a redistribuição da cota de açúcar sob tarifa reduzida que foi retirada do Brasil para o ano fiscal de 2027. O volume total de 55,993 MTRV, sigla para toneladas métricas em valor bruto, será dividido entre 28 países.
O Brasil foi o único país a ter sua cota reduzida para o período, que começa em 1º de outubro de 2026. A autorização brasileira caiu de 155,993 MTRV no ano fiscal anterior para 100 mil MTRV, uma retração de 55,993 MTRV, equivalente a aproximadamente 36% do volume disponível anteriormente. A mudança não proíbe as exportações, mas reduz a quantidade que pode entrar no mercado americano com tratamento tarifário preferencial.
República Dominicana e Filipinas recebem as maiores fatias
A República Dominicana ficou com 11,931 MTRV adicionais, a maior parcela do montante redistribuído. As Filipinas receberam 9,151 MTRV. Os 34,911 MTRV restantes serão distribuídos entre os outros 26 países beneficiados pela decisão do governo americano.
Redução amplia tensão comercial
Em agosto, um documento da Adidância Agrícola do Brasil em Washington indicou que a administração de Donald Trump poderia usar a redução da cota como instrumento de pressão por concessões comerciais do governo brasileiro. A interpretação foi acompanhada com cautela em Brasília, mas reforçou o alerta para possíveis novas barreiras às exportações do país.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e o Ministério da Agricultura e Pecuária informaram que monitoram o caso. Para produtores e exportadores brasileiros, a perda de acesso preferencial pode comprometer a competitividade do açúcar nacional nos Estados Unidos, um dos principais mercados consumidores do produto.
Setor acompanha medidas tarifárias
Além da disputa por cotas, o setor açucareiro avalia os efeitos de medidas tarifárias anunciadas pelos EUA com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A investigação americana aborda temas como comércio digital, Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, tarifas preferenciais e desmatamento ilegal.
Desentendimentos chegam à diplomacia
A decisão ocorre em um período de atritos entre Brasília e Washington. Donald Trump afirmou que o governo Lula falhou no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho, enquanto Lula defendeu, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, que o combate ao crime organizado exige cooperação internacional e respeito à soberania dos países latino-americanos.
Ao comentar a necessidade de conter o fluxo de armas e recursos financeiros das organizações criminosas, Lula disse que entregou uma proposta ao presidente dos Estados Unidos e afirmou que o Brasil não cabe no quintal de ninguém. O episódio mostra que a disputa pela cota de açúcar integra um cenário mais amplo de negociações comerciais e divergências políticas entre os dois países.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








