Estudo mapeia áreas rurais mais vulneráveis à poluição difusa do agronegócio
Pesquisa da Embrapa identifica municípios em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás como pontos críticos. O mapeamento visa orientar políticas de monitoramento e controle da qualidade da água.

Divulgação
Um estudo pioneiro realizado por pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (SP) e da Embrapa Solos (RJ) lança luz sobre as áreas rurais brasileiras mais suscetíveis à poluição difusa gerada pelas atividades agropecuárias. A pesquisa detalha um mapeamento que classifica os municípios com maior vulnerabilidade, com o objetivo primordial de direcionar esforços de monitoramento da qualidade da água. Adicionalmente, o estudo considerou a fragilidade de importantes fontes hídricas frente às projeções de mudanças climáticas, integrando uma visão abrangente sobre a segurança hídrica no campo.
Identificando as fontes de contaminação
A poluição dos cursos d’água pode ocorrer de duas formas principais: pontual e difusa. Enquanto as fontes pontuais, como efluentes industriais e esgotos urbanos, são mais fáceis de detectar e gerenciar, as fontes difusas representam um desafio considerável. Alexandre Ortega, pesquisador da Embrapa Solos, explica que essas fontes resultam do escoamento superficial da água da chuva, que carrega consigo resíduos de áreas rurais, incluindo fertilizantes, defensivos agrícolas, sedimentos e nutrientes, contaminando rios, córregos e reservatórios. O estudo se aprofundou em cinco indicadores cruciais para entender essa poluição: a quantidade de fertilizantes aplicados por cultura, o número de cabeças de gado, a área de fertirrigação de cana-de-açúcar, o balanço hídrico em microbacias e a erodibilidade do solo.
Regiões sob maior atenção
Os resultados da pesquisa apontam para uma concentração de áreas críticas em municípios de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. A região conhecida como Matopiba, que engloba partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e representa uma importante fronteira agrícola em expansão, também figura entre os pontos de maior atenção. Municípios no Paraná e em São Paulo foram identificados com prioridade elevada para ações de monitoramento, embora de forma mais localizada. Essas regiões compartilham a característica de intensa atividade agropecuária, alto consumo de insumos agrícolas e condições ambientais que facilitam o transporte de nutrientes e sedimentos para os corpos d’água, um cenário que pode ser exacerbado por eventos climáticos extremos.
Avanços no monitoramento e recomendações
O estudo inova ao propor um monitoramento mais abrangente da qualidade da água, que historicamente tem se concentrado em áreas urbanas. A ampliação para zonas rurais é vista como fundamental para garantir a segurança hídrica e a preservação de ecossistemas aquáticos. O mapeamento gerado pode servir como ferramenta estratégica para a formulação de políticas públicas voltadas ao controle das fontes difusas de poluição. Para mitigar os riscos, o estudo reforça a importância de práticas como conservação do solo, uso responsável de fertilizantes e manutenção de áreas de mata ciliar. Essas medidas não só protegem os recursos hídricos, mas também evitam o desperdício de insumos, contribuindo para a sustentabilidade do agronegócio e a segurança hídrica do país.
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