Conilon capixaba ganha vitrine para fechar negócios em grande escala
Mostra reúne produtores, compradores e especialistas em Linhares para apresentar cafés conilon de qualidade com capacidade de fornecimento em volumes comerciais.

Divulgação
Produtores capixabas de café conilon ganharam uma nova plataforma para apresentar lotes diferenciados diretamente a compradores interessados em fechar negócios em maior escala. A primeira Mostra de Negócios de Conilon Fine Cup em Volume foi realizada nesta quinta-feira (17), na Fazenda Experimental do Incaper, em Linhares, com degustações, palestras e rodadas comerciais.
Volume com qualidade
A proposta do evento é diferente dos concursos tradicionais de cafés especiais. Além da pontuação obtida em avaliações sensoriais, os compradores observam a capacidade do produtor de manter o padrão do café, oferecer volumes comerciais e cumprir demandas recorrentes do mercado. A iniciativa busca transformar a qualidade conquistada nas propriedades em oportunidades concretas de venda.
Durante as sessões de cupping, procedimento usado para avaliar aroma, sabor e outras características da bebida, os compradores analisam as amostras disponíveis. Quando um lote desperta interesse, a organização aproxima o produtor do comprador para uma conversa reservada. A negociação pode avançar no próprio evento ou resultar em contatos futuros.
Demanda por cafés diferenciados
A mostra é realizada pela Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca e pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural. Para o secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli, o Espírito Santo precisa ampliar a oferta de conilon diferenciado para atender ao crescimento da demanda internacional.
A cafeicultura está presente em 43% das propriedades rurais capixabas e tem papel relevante na economia do campo. O Espírito Santo é o maior produtor brasileiro de café, e Bergoli avalia que o país poderá ultrapassar o Vietnã na produção de café canéfora nos próximos quatro a cinco anos, com liderança do estado. Para alcançar esse potencial, defende a combinação entre qualidade, regularidade e volume.
Tecnologia e planejamento na propriedade
O presidente do Incaper, André Barros, destacou a atuação do instituto em pesquisa, desenvolvimento, assistência técnica e extensão rural ao longo de sete décadas. Segundo ele, o desafio atual é unir produtividade, eficiência e qualidade para aumentar a renda dos cafeicultores e atender a um mercado cada vez mais exigente.
A produção em escala exige planejamento e investimentos dentro da propriedade. O cafeicultor Isaac Venturin, que trabalha com cafés de qualidade desde 2012, apresentou sua experiência aos participantes. Ele destacou a formação do parque cafeeiro e a adoção da tecnologia de descasque como etapas importantes para preservar o padrão do produto e manter café disponível quando o comprador necessita.
Outro produtor que apostou na transição do café convencional para os especiais foi Vanderlei Gonçalves, de Aracruz. Ele investiu em estrutura para produzir com maior qualidade e vê na mostra uma oportunidade de divulgar o potencial do conilon capixaba e abrir espaço para novos negócios.
Pós-colheita influencia o resultado
Os cuidados após a colheita também estão entre os fatores observados pelos compradores. Luiz Eduardo, da Gran Café, participou da degustação das amostras e avaliou que os produtores avançaram nos processos de pós-colheita, com reflexos diretos na qualidade encontrada no cupping. Para ele, essa etapa pode ser tão importante quanto o plantio e os demais cuidados com a lavoura.
Ao reunir avaliação sensorial, orientação técnica e negociação no mesmo ambiente, a mostra procura aproximar produtores preparados de compradores que buscam cafés especiais em volumes comerciais. O objetivo é permitir que o conilon capixaba avance além dos prêmios e encontre espaço consistente nos mercados nacional e internacional.
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