Cacau e café recuam com oferta maior e estoques lotados
Queda nas cotações do cacau e do café reflete maior disponibilidade global, enquanto açúcar sobe com déficit projetado. Análise dos principais movimentos do mercado de commodities agrícolas nesta quarta-feira.
O mercado de commodities agrícolas fechou esta quarta-feira (02) com forte pressão sobre os preços do cacau e do café, enquanto o açúcar registrou alta histórica impulsionada por déficits globais. A combinação de estoques confortáveis e aumento nos embarques de países-chave como a Costa do Marfim derrubou as cotações da principal commodity do setor de chocolates.
Cacau derrete 4,54% em NY com estoques globais estáveis
O contrato futuro de cacau para dezembro encerrou o dia cotado a US$ 6.273 por tonelada na Bolsa de Nova York, acumulando queda de 4,54% — segunda consecutiva após ganhos expressivos na semana anterior. A pressão veio após a maior processadora do mundo, Barry Callebaut AG, confirmar que o mercado global está bem abastecido, reduzindo riscos de escassez mesmo com a proximidade do fenômeno El Niño.
A Costa do Marfim, maior produtor mundial, registrou aumento de 19% nos embarques para 2,14 milhões de toneladas até agosto, consolidando a tendência de oferta superior à demanda. Analistas destacam que a safra africana, tradicionalmente robusta, vem superando projeções e mantendo os preços sob pressão.
Café arábica atinge mínima de cinco meses com estoques brasileiros lotados
O contrato de café arábica para dezembro fechou em baixa de 3,67%, negociado a US$ 2,98 por libra-peso — menor patamar desde abril. A queda acelerou com o avanço da colheita no Brasil, maior produtor global, onde armazéns já não aceitam novos carregamentos devido à capacidade esgotada. "Os estoques lotados sugerem que produtores precisarão vender mesmo com preços baixos para liberar espaço", avalia o Barchart. A perspectiva de safra recorde em 2026/27 agrava a desvalorização.
Açúcar dispara para maior preço em 16 meses com déficit global
O contrato de açúcar para outubro subiu 1,85%, alcançando 18,70 centavos por libra-peso — maior valor desde maio de 2025. A alta reflete projeções de retração na safra 2026/27: a ISO reduziu em 200 mil toneladas a produção global, enquanto a União Europeia prevê queda de 19% na safra europeia. A consultoria Green Pool Commodity Specialists também ajustou para baixo as estimativas, reforçando o cenário de escassez.
Algodão e suco de laranja também mostram volatilidade
O contrato de algodão para dezembro recuou 2,86% para 88,93 centavos por libra-peso, pressionado pela liquidação de posições especulativas e pela valorização do dólar. Já o suco de laranja para novembro subiu 2,93%, fechando a US$ 1,49 por libra-peso, em movimento contrário impulsionado pela demanda sazonal.



