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Apenas 1 em cada 10 brasileiros conhece doença letal ligada ao tabagismo

Levantamento inédito revela que 90% da população desconhece a DPOC, quinta maior causa de morte no país, cujo diagnóstico tardio agrava o cenário. Confira sintomas, riscos e como prevenir.

Wanessa·
Apenas 1 em cada 10 brasileiros conhece doença letal ligada ao tabagismo

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) segue como um dos maiores desafios silenciosos da saúde pública brasileira. Apesar de ser a quinta principal causa de morte no país e figurar entre as cinco maiores responsáveis por internações no SUS entre maiores de 40 anos, a enfermidade ainda é amplamente ignorada pela população. Dados recentes comprovam que apenas 10% dos brasileiros reconhecem a sigla ou compreendem o seu significado, enquanto míseros 3% sabem identificar corretamente o que ela representa.

Os números, obtidos em pesquisa inédita que ouviu 2.004 pessoas em todas as regiões do país, revelam um cenário alarmante. Em um universo onde 92% dos entrevistados relataram ter apresentado ao menos um sintoma respiratório nos últimos 12 meses, a normalização de problemas como tosse crônica, falta de ar e chiado no peito perpetua a demora nos diagnósticos. Quatro em cada dez pacientes aguardam mais de três anos entre os primeiros sinais da doença e a confirmação médica, período crítico em que a doença já pode estar em estágios avançados.

O tabagismo como principal vilão

O fumo é apontado como o principal fator de risco para o desenvolvimento da DPOC, seja pelo uso de cigarros convencionais ou por dispositivos como narguilé e cigarros eletrônicos. A inflamação persistente das vias respiratórias, característica da doença, impede que o ar flua normalmente, resultando em sintomas que muitas vezes são interpretados como consequências naturais da idade ou do tabagismo. Essa percepção equivocada, segundo o estudo, atinge 57% da população, que considera normal sentir falta de ar ao envelhecer, e 62% que só buscam ajuda médica quando os sintomas começam a limitar suas atividades diárias.

Um depoimento que expõe a urgência da conscientização

Carla Comini, publicitária de 63 anos e ex-fumante por 32, só descobriu ser portadora de DPOC após sua irmã ser diagnosticada com câncer de pulmão em estágio avançado. 'Fui ao médico por medo, depois que vi a situação dela', relata. Hoje, Carla, que atua como voluntária na ABRAF (Associação Brasileira de Apoio à Família com Hipertensão Pulmonar e Doenças Correlatas), transformou sua luta em conscientização. 'Os exercícios respiratórios e a atividade física são essenciais. Descobri que até os músculos das pernas fazem diferença para manter os pulmões funcionando', destaca.

Como identificar e prevenir a DPOC

A doença não tem cura, mas pode ser controlada com diagnóstico precoce e mudanças de hábitos. Os sintomas mais comuns incluem falta de ar persistente, tosse com secreção (que pode ser amarelada ou esverdeada) e chiado no peito. Especialistas recomendam atenção redobrada para quem tem histórico de tabagismo, exposição a poluentes ou predisposição genética. A prevenção passa pela cessação do fumo, prática regular de exercícios físicos e consultas periódicas com pneumologistas. Para aqueles que já apresentam sintomas, a avaliação médica imediata é crucial para retardar a progressão da doença.

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