Abrapa espera impacto limitado do El Niño na produção de algodão
A Abrapa avalia que o El Niño previsto para 2026/27 deve ter efeitos reduzidos sobre o algodão, cuja área plantada pode crescer entre 8% e 10%. Governo federal prevê R$ 1,3 bilhão para ações de contingenciamento.

Divulgação
A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) avalia que o El Niño previsto para 2026/27 não deve causar impactos relevantes na produção nacional da fibra. A expectativa existe mesmo com a possibilidade de ocorrência de um fenômeno climático de grande intensidade, capaz de alterar o regime de chuvas em diferentes regiões do país.
Área plantada deve crescer
O presidente da Abrapa, Gustavo Viganó Piccoli, projetou aumento de 8% a 10% na área plantada de algodão no Brasil na próxima safra. A estimativa indica confiança dos produtores na continuidade da expansão da cultura e na capacidade do setor de absorver possíveis variações climáticas sem perdas expressivas.
Piccoli apresentou a avaliação durante a abertura do 15º Congresso Brasileiro do Algodão, realizado em Belo Horizonte, em Minas Gerais. Para a entidade, a distribuição geográfica das lavouras é um dos principais fatores que devem reduzir a exposição da produção aos efeitos mais intensos do fenômeno.
Chuvas devem atingir regiões com pouca produção
O algodão não se adapta bem ao excesso de chuva, especialmente durante etapas sensíveis do cultivo, como a abertura das maçãs e a colheita. Entretanto, as maiores alterações pluviométricas associadas ao El Niño são esperadas principalmente no Sul do Brasil, região com participação reduzida na produção nacional da cultura.
As principais áreas produtoras estão concentradas no Centro-Oeste e no Nordeste. Segundo a Abrapa, essa concentração tende a limitar os prejuízos diretos, já que as lavouras ficam fora das regiões onde os impactos climáticos devem ser mais pronounced. O monitoramento do comportamento das chuvas, porém, continuará sendo fundamental para ajustar o planejamento agrícola.
Governo prevê ações de contingenciamento
O ministro da Agricultura, André de Paula, informou que o governo federal reserva R$ 1,3 bilhão para ações relacionadas ao enfrentamento do El Niño. Os recursos podem ser direcionados a diferentes áreas afetadas pelo fenômeno, incluindo agricultura, saúde e defesa civil.
De Paula destacou que os possíveis desdobramentos climáticos estão sendo avaliados de forma integrada. A estratégia busca evitar que eventos extremos provoquem rupturas na produção, no abastecimento e na assistência às populações expostas a secas, enchentes ou outras situações emergenciais.
Seguro rural pode receber novo marco legal
O ministro também afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve sancionar até o dia 29 o Projeto de Lei 2951/2024, que cria o marco legal do seguro rural no Brasil. Entre as medidas previstas, está a proibição de contingenciamento dos recursos destinados ao programa, uma reivindicação histórica dos produtores.
A proposta pode aumentar a segurança jurídica e financeira do setor, especialmente em um cenário de maior instabilidade climática. Para os produtores de algodão, a combinação entre expansão da área plantada, menor exposição às regiões mais afetadas pelo El Niño e aprimoramento do seguro rural pode favorecer o planejamento das próximas safras.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








