Xi diz ter chegado a entendimento com Trump em muitas questões
Presidentes da China e dos EUA encerraram o primeiro dia de reuniões em Washington com declarações positivas, mas sem detalhar os acordos. Comércio, inteligência artificial, sanções e tensões envolvendo o Japão estão na agenda.

Divulgação
O presidente da China, Xi Jinping, afirmou que o primeiro dia de reuniões com Donald Trump, nos Estados Unidos, resultou em entendimentos sobre “muitas questões”. A declaração foi feita durante discurso antes de um jantar na Casa Branca, nesta quinta-feira (24 de setembro de 2026), mas o líder chinês não informou quais temas avançaram nem anunciou medidas concretas.
Conversas amplas, mas sem detalhes
Xi classificou as conversas como sinceras e aprofundadas e disse que os avanços deram novo conteúdo à relação entre China e EUA. A avaliação positiva aumenta as expectativas para a segunda rodada de encontros, marcada para sexta-feira (25), mas ainda não permite confirmar a existência de acordos comerciais, diplomáticos ou estratégicos.
Comércio internacional, cooperação em inteligência artificial, sanções e disputas geopolíticas integram a agenda bilateral. Os dois países enfrentam divergências em áreas sensíveis, como tarifas, tecnologia, segurança e influência regional. Por isso, a ausência de detalhes sobre os consensos mantém cautela nos mercados e nos governos que acompanham a aproximação entre as maiores economias do mundo.
Menção à Segunda Guerra Mundial
Um dos trechos mais observados do discurso foi a referência à atuação conjunta de China e EUA contra o Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Xi lembrou que os dois países lutaram lado a lado contra os “agressores militaristas japoneses” e afirmou que essa amizade, forjada em meio a conflitos, deve permanecer entre as gerações.
A menção histórica é vista como um recado político em um momento de preocupação de Pequim com a modernização da indústria bélica japonesa. O governo chinês defende o fim da militarização do Japão e observa com atenção a proximidade entre Tóquio e Washington.
Estímulos contraditórios de Washington
Os EUA ainda enviam sinais ambíguos à China sobre o tema. Embora não participem diretamente das negociações japonesas sobre armamentos, mantêm forte articulação com o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi. Antes do encontro com Xi, Trump se reuniu com a chefe do governo japonês em Nova York, e a Casa Branca destacou que a aliança entre os dois países está fortalecida.
Jantar reúne líderes e empresários
O jantar na Casa Branca contou com a presença das primeiras-damas, autoridades dos dois governos e representantes de 37 empresas. Entre os americanos estavam o vice-presidente J.D. Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth. A China levou nomes centrais de sua diplomacia e economia, como Wang Yi, He Lifeng e Wang Wentao.
A presença de empresários reforça a importância das negociações comerciais, mas os próximos desdobramentos dependerão da capacidade dos dois presidentes de transformar declarações diplomáticas em compromissos objetivos. Até agora, o principal resultado do encontro é a sinalização de diálogo, sem avanços públicos suficientes para reduzir definitivamente as tensões entre as duas potências.
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