Voto útil impulsiona Flávio Bolsonaro no primeiro turno
Análise pós-eleitoral revela que a desistência de votos em candidatos menores beneficiou o senador do PL, que superou Lula por uma margem apertada.

Divulgação
O senador Flávio Bolsonaro (PL) encerrou o primeiro turno das eleições presidenciais com uma vantagem sobre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com a apuração quase completa, Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula registrou 45,16%. Essa diferença de 1,87 ponto percentual representa a menor margem entre os dois primeiros colocados desde a redemocratização do país, em 1989, demonstrando uma disputa acirrada.
Desidratação de candidatos menores e voto útil
A ascensão de Flávio Bolsonaro no final da corrida eleitoral pode ser atribuída, em grande parte, ao fenômeno do voto útil. Esse movimento ocorre quando eleitores, antecipando um resultado mais favorável a um determinado candidato, direcionam seus votos para aquele que consideram ter maiores chances de vitória, mesmo que não seja sua primeira opção. Candidatos com menor projeção, os chamados "nanicos", que apareciam com percentuais entre 1% e 6% nas pesquisas, viram suas intenções de voto diminuírem significativamente na reta final da campanha.
Transferência de votos para o senador do PL
Levantamentos realizados nos dias que antecederam o primeiro turno indicavam uma soma de 11% dos votos válidos para candidatos como Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), todos posicionados no espectro de centro-direita e direita. No entanto, o resultado oficial mostrou que esses candidatos, em conjunto, alcançaram apenas 7,58% dos votos válidos. A diferença de 3,42 pontos percentuais sugere uma clara migração de eleitores desses grupos para Flávio Bolsonaro.
Impacto direto no resultado
A performance de Flávio Bolsonaro, que atingiu 47,04% dos votos válidos, superando em 4,04 pontos percentuais o que as pesquisas indicavam, corrobora a tese da transferência de votos. A análise dos dados permite inferir que, nos últimos dias antes da votação, uma parcela considerável dos eleitores que inicialmente consideravam votar em Cury, Renan, Caiado e Zema optou por direcionar seu voto ao senador do PL, consolidando sua posição como o candidato mais votado no primeiro turno e garantindo sua presença no segundo turno.
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