Trump propõe excluir imigrantes sem green card do Censo de 2030
Proposta da Casa Branca mudaria a forma de calcular a população usada na distribuição de cadeiras na Câmara dos Representantes e em repasses federais. Plano também prevê retirar perguntas sobre raça, etnia e orientação sexual.

Divulgação
A Casa Branca propôs mudanças no Censo dos Estados Unidos de 2030 que podem excluir da contagem populacional pessoas sem green card, incluindo imigrantes que estejam legalmente no país. A alteração afetaria a base usada para distribuir cadeiras na Câmara dos Representantes entre os Estados e poderia redirecionar bilhões de dólares em repasses federais.
Mudança no critério de contagem
Realizado a cada dez anos, o Censo atualmente considera todos os residentes nos Estados Unidos, independentemente da nacionalidade ou da situação migratória. A proposta do governo de Donald Trump mudaria esse padrão ao retirar da população de referência cidadãos estrangeiros que ainda não possuam residência permanente. A medida também prevê a eliminação de perguntas sobre raça, etnia e orientação sexual.
A definição tem impacto direto na representação política. Estados com grandes populações de imigrantes poderiam registrar uma contagem oficial menor e perder assentos na Câmara, enquanto outras regiões poderiam ganhar influência no Congresso. Como a distribuição de verbas para saúde, educação, transporte e programas sociais também considera dados censitários, os efeitos econômicos tenderiam a acompanhar a mudança na representação.
Estados democratas podem ser os mais afetados
A proposta deve atingir principalmente Estados com populações migrantes expressivas, muitos deles historicamente mais favoráveis ao Partido Democrata. A alteração, portanto, pode modificar o equilíbrio político em um país onde pequenos deslocamentos populacionais já são suficientes para provocar mudanças na divisão de cadeiras e no Colégio Eleitoral.
Especialistas também alertam que a retirada de perguntas sobre raça, etnia e orientação sexual dificultaria a produção de estatísticas utilizadas por órgãos públicos, universidades e organizações da sociedade civil. Esses dados ajudam a identificar desigualdades, monitorar discriminação e formular políticas de proteção aos direitos civis.
Medida deve enfrentar questionamentos judiciais
A iniciativa provavelmente será contestada nos tribunais. A 14ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos determina a contagem do “número total de pessoas” em cada Estado, sem limitar o levantamento a cidadãos ou portadores de green card. Embora o Congresso tenha autoridade constitucional sobre o Censo, a condução prática do levantamento foi delegada ao Departamento de Comércio.
Outra preocupação envolve a participação da população. Pesquisadores avaliam que o temor de compartilhamento de informações migratórias com autoridades pode levar residentes a evitar o questionário, reduzindo a precisão da contagem. O Censo de 2030 ocorrerá após a eleição presidencial de 2028, e um eventual novo governo poderá rever ou tentar reverter as mudanças antes da realização do levantamento.
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