Gonet vai a julgamento sobre Moraes e defenderá anulação de investigação
Paulo Gonet participará da sessão de 15 de setembro sobre o caso Moraes-Vorcaro e sustentará que as diligências determinadas por André Mendonça são inválidas. Mesmo citado no relatório da Polícia Federal, o procurador-geral pediu análise interna da menção ao seu nome.

Divulgação
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, participará em 15 de setembro da sessão do Supremo Tribunal Federal que deverá definir os rumos do caso que pode resultar na abertura de investigação sobre citações do ministro Alexandre de Moraes em informações encontradas no celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Ainda há indefinições sobre o rito que será adotado pelos ministros, mas Gonet já antecipou o centro de sua atuação: defenderá a anulação das diligências determinadas por André Mendonça.
Argumentos da PGR
Na sessão, o procurador-geral sustentará que a condução adotada por Mendonça é nula por dois motivos. Segundo a PGR, o ministro teria determinado medidas contra pessoas específicas sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da Polícia Federal. Além disso, qualquer investigação envolvendo ministro do Supremo deveria depender de autorização do Plenário da Corte e ser encaminhada à Presidência do tribunal.
Gonet também é citado no relatório que levou Mendonça a solicitar a análise do caso pelo Plenário. Apesar disso, optou por tratar da menção ao seu nome nas vias internas do Conselho Superior do Ministério Público Federal. O assunto está em fase de procedimento preliminar, sob a relatoria do subprocurador-geral Francisco Sanseverino.
Equipe adicional no Ministério Público
Na 6ª feira, 11 de setembro de 2026, Gonet editou portaria interna para ampliar a colaboração nos trabalhos relacionados ao Banco Master. Além do vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, foram designados os subprocuradores-gerais Antonio Edílson Teixeira Magalhães e André de Carvalho Ramos.
Disputa sobre o rito do julgamento
A sessão do dia 15 ocorre em meio a divergências sobre a forma de condução. Uma ala de ministros próximos a Moraes defende segredo de Justiça, enquanto Mendonça pediu julgamento público com transmissão pela TV Justiça. Gilmar Mendes, por sua vez, argumentou que o processo ainda não teria maturidade para ser apreciado e defendeu o adiamento.
O presidente do STF, Luiz Edson Fachin, assumiu a relatoria do caso Moraes-Vorcaro e suspendeu temporariamente as investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes no INSS. Até o momento, jornalistas foram autorizados a se credenciar apenas para acompanhar o julgamento em setores externos do tribunal, sem confirmação de acesso ao plenário.
Origem da crise no STF
A crise começou em 1º de setembro, quando Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal com informações sobre conversas envolvendo Vorcaro e citações a Moraes e pessoas próximas ao ministro. O material também tratava de contratos do Banco Master com o escritório de advocacia da família de Moraes. Mendonça pediu, então, que Fachin submetesse o tema ao Plenário.
Dois dias depois, Moraes apresentou pedido para investigar Mendonça por suposto abuso de autoridade, com base em relatório de inteligência da Polícia Federal. Fachin retirou o pedido do inquérito das fake news e determinou que a questão tramitasse sob a Presidência da Corte. Posteriormente, Mendonça questionou a legalidade do relatório e afastou cautelarmente o diretor-geral da Polícia Federal, decisão que foi recorrida pela Advocacia-Geral da União.
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