Trump não consegue impor “golfo da América” à mídia
Levantamento mostra que “golfo do México” segue dominante em veículos nacionais, progressistas e conservadores dos EUA. A resistência ao termo proposto por Donald Trump indica que a tentativa de popularizar “lago América” pode enfrentar o mesmo rejeição.

Divulgação
A tentativa de Donald Trump de alterar nomes geográficos por meio da nomenclatura oficial do governo dos Estados Unidos não tem se refletido no noticiário. Embora o republicano possa determinar como órgãos federais tratam determinadas áreas, os dados indicam que ele não consegue impor a mudança aos veículos de comunicação.
Nome tradicional amplia vantagem
Um levantamento baseado em dados do Media Cloud acompanhou as menções a “golfo do México” e “golfo da América” entre 1º de fevereiro de 2025 e 26 de agosto de 2026. O período termina um dia antes de surgir a proposta de chamar o lago Ontário de lago América, repetindo a estratégia adotada anteriormente com o golfo.
A análise considerou 247 veículos nacionais, 572 sites com maior compartilhamento entre democratas e 406 páginas com forte engajamento republicano. O grupo inclui tanto grandes empresas jornalísticas quanto emissoras locais e publicações partidárias, oferecendo um panorama amplo sobre a aceitação da nova terminologia.
Em todos os grupos, “golfo do México” liderou com folga. Entre os veículos nacionais, a proporção de textos que usavam exclusivamente o nome tradicional passou de 3,75 vezes mais, em outubro de 2025, para 7,2 vezes mais no fim de agosto de 2026. A linha de tendência registrou avanço ainda maior, de 1,24 para 7,23 vezes.
A rejeição foi mais evidente nos veículos associados ao público democrata. No pico verificado no fim de julho, havia 69 publicações com “golfo do México” para cada menção ao termo defendido por Trump. Na comparação geral do período, a vantagem saltou de 2,51 para 26,89 vezes.
Conservadores também retomam a denominação original
Os sites preferidos por republicanos foram os únicas a dar vantagem inicial à proposta de Trump, mas apenas até meados de abril de 2025. Depois de breves exceções em maio e setembro daquele ano, também passaram a priorizar “golfo do México”. Ao final da tendência analisada, o nome tradicional aparecia 3,13 vezes mais.
Dos 292 veículos que citaram ao menos dez vezes uma das duas expressões, 157 utilizaram “golfo da América” em menos de 10% das publicações. Os números mostram que uma mudança oficial não garante adoção pública nem editorial.
O cenário dificulta a popularização de “lago América”. A experiência anterior sugere que, fora dos canais mais alinhados a Trump, a nova denominação dependerá de grande esforço político e ainda poderá encontrar resistência semelhante à observada no caso do golfo.
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