Troyjo critica ingenuidade do governo em negociações com a China
Ex-presidente do Banco do Brics alerta para a falta de pragmatismo brasileiro em acordos comerciais, comparando a postura à de um 'frango assado' aos olhos chineses.

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O economista e cientista político Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos Brics, criticou a postura do atual governo federal em negociações comerciais, classificando-a como ingênua. A declaração foi feita durante a Conferência Magna do Congresso Aço Brasil 2026, realizada em São Paulo, onde Troyjo abordou o cenário geopolítico internacional.
Abertura comercial com cautela
Troyjo defendeu a abertura comercial do Brasil, mesmo em um cenário global de crescente protecionismo, mas ressaltou a importância de não ser "trouxa" nas negociações. Ele argumentou que a crença na solidariedade baseada em ideologia ou na pertença ao "Sul Global" pode levar a equívocos. "O que eu talvez seja contra não é a abertura comercial, mas a ingenuidade comercial, achar que os outros têm uma solidariedade com você porque você compartilha a mesma ideologia, ou você faz parte do ‘Sul Global’, que está muito agora em voga falar. Eu vejo isso muito, por exemplo, no atual governo, um governo muito ingênuo no Brasil", afirmou.
China vê Brasil como presa fácil, diz Troyjo
A "ingenuidade" brasileira, segundo o economista, é particularmente evidente nas relações com a China. Troyjo avalia que os chineses percebem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como alguém "facilmente ludibriado, enganado, faixa branca". Ele ilustrou sua visão com uma analogia: "O presidente da República, por exemplo, ele vê ali um grupo de chineses, ele diz: ‘Puxa, amigos’. Eu acho que ele está conversando com amigos que têm os mesmos interesses que ele. E os chineses olham para o presidente da República e veem, não sei se você se lembra daqueles desenhos de antigamente, que você tem 2 personagens andando no deserto, um deles está com tanta fome que olha para o outro e vê um frango assado".
Acordos equilibrados como caminho
Para Troyjo, a estratégia mais eficaz para a abertura da economia brasileira passa pela celebração de acordos comerciais que promovam uma "abertura equilibrada", visando a melhoria da competitividade do país. Como exemplo positivo, ele citou o acordo entre Mercosul e União Europeia, do qual foi um dos negociadores. Segundo Troyjo, as exportações brasileiras para a Europa registraram um aumento de US$ 1 bilhão por mês desde que o tratado entrou em vigor, em 1º de maio.
Congresso Aço Brasil: debate setorial
O Congresso Aço Brasil 2026, evento que sediou a discussão, é reconhecido como o principal encontro do setor siderúrgico nacional. Realizado no Transamérica Expo Center, em São Paulo, e organizado pelo Instituto Aço Brasil, o congresso, em sua 36ª edição, reuniu por dois dias os principais players da indústria, especialistas e lideranças empresariais para debater as perspectivas do setor e sua relevância para o desenvolvimento do país.
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