Sudeste deve ser decisivo na eleição presidencial de 2026, diz Jairo Nicolau
O cientista político Jairo Nicolau avalia que o Sudeste terá papel central na eleição presidencial de 2026. Com quase metade do eleitorado nacional, a região pode definir a disputa, especialmente pela necessidade de a oposição compensar a vantagem histórica do PT no Nordeste.

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O cientista político Jairo Nicolau avalia que o Sudeste terá papel central na eleição presidencial de 2026. A região concentra quase metade do eleitorado brasileiro e deve apresentar uma das disputas mais equilibradas do país.
Para Nicolau, qualquer candidatura de oposição ao PT precisará obter uma margem expressiva no Sudeste para compensar a vantagem historicamente construída pelos petistas no Nordeste. Essa dinâmica torna a região indispensável na formação da maioria necessária para vencer uma eleição presidencial.
Peso demográfico e urbano
Durante participação no PoderDataCast em 12 de setembro de 2026, o professor da FGV destacou que o peso eleitoral do Sudeste está ligado à sua população e à concentração de grandes centros urbanos. Mais de 20% dos eleitores brasileiros vivem em cidades com mais de 500 mil habitantes localizadas na região.
Desde 2006, as eleições presidenciais têm sido marcadas pela força dos candidatos do PT no Nordeste. No Sudeste, porém, a disputa costuma ser mais renhida. Em 2018 e 2022, os candidatos petistas foram derrotados na região, cenário que reforça sua importância para os planos da oposição em 2026.
Sudeste não forma um bloco único
Nicolau alerta que o Sudeste não pode ser analisado como uma unidade homogênea. A região reúne realidades econômicas e sociais muito diferentes, que vão do Norte de Minas Gerais a bairros de alta renda do Rio de Janeiro e de São Paulo.
O cientista político destaca a presença de eleitores com maior renda e escolaridade, além de trabalhadores de serviços especializados, universidades e centros de pesquisa. Ao mesmo tempo, rejeita a ideia de que as capitais tenham necessariamente um comportamento político diferente do interior. Segundo ele, o padrão varia conforme a eleição e as características de cada município.
Disputa varia entre os Estados
Minas Gerais também merece uma análise cuidadosa. O Estado possui mais de 700 municípios, grandes centros urbanos, regiões industriais e áreas com características socioeconômicas próximas às do Nordeste. Para Nicolau, essa diversidade ajuda a explicar por que o vencedor presidencial costuma vencer em Minas desde a redemocratização, mas não significa que o Estado represente fielmente todo o eleitorado brasileiro.
No Rio de Janeiro, a influência do bolsonarismo deve manter a disputa acirrada. Nicolau considera Flávio Bolsonaro (PL) favorito no Estado, onde Jair Bolsonaro construiu sua carreira política, mas ressalva que o cenário ainda pode mudar.
No Espírito Santo, a divisão é mais evidente. Cidades da região metropolitana, como Vitória, Serra e Cariacica, costumam apresentar desempenho melhor do PT, enquanto o interior tende a ser mais conservador. O avanço da direita nas últimas eleições, porém, impede a indicação de um favorito com segurança.
São Paulo permanece como o maior prêmio eleitoral da região. Embora tradicionalmente favoreça candidatos de direita, o Estado viu Lula ampliar sua força em 2022, inclusive na capital, onde venceu Jair Bolsonaro por uma diferença próxima de 1 milhão de votos. O resultado em municípios do ABC e da região metropolitana também reduziu a vantagem do adversário.
Para Nicolau, o eleitorado paulista voltará a ser determinante em 2026, mas nada indica que o resultado de 2022 se repetirá. A combinação entre peso populacional, diversidade interna e disputas equilibradas deve transformar o Sudeste em um dos principais campos de decisão da próxima corrida presidencial.
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