Se ele meter a mão, vai perder as eleições, diz Lula sobre Trump
Durante ato no Rio de Janeiro, Lula afirmou que alertou Donald Trump contra qualquer tentativa de interferência nas eleições brasileiras e voltou a defender a soberania do processo eleitoral do país.

Divulgação
Lula rejeita possível interferência dos Estados Unidos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a tratar das relações com Donald Trump e afirmou que conversou com o presidente dos Estados Unidos sobre as eleições no Brasil. Durante um ato em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, Lula disse ter deixado claro que o país não aceitará qualquer tentativa de ingerência estrangeira no processo eleitoral brasileiro.
“Eu disse para o Trump que, nas eleições daqui, se ele meter a mão, vai perder as eleições. A gente não vai aceitar ingerência de ninguém”, declarou Lula. O presidente participava de um evento ao lado de Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo do Rio, e dos candidatos ao Senado Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD).
Críticas se intensificam antes do pleito
As declarações fazem parte de uma sequência de críticas de Lula ao governo Trump. Na quarta-feira, 23 de setembro, durante um ato com artistas no Rio de Janeiro, o petista afirmou que estava “ganhando” do republicano na disputa de narrativas. Ele também avaliou que Trump atua “como se estivesse ameaçando todo mundo” e rejeitou pressões externas sobre a condução da segurança pública no Brasil.
Lula comentou ainda a classificação de grupos criminosos brasileiros, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Segundo o presidente, o Brasil não precisa de “intromissão americana” para enfrentar o crime organizado e possui capacidade para cuidar de seus próprios assuntos. A fala reforça a defesa da soberania nacional como um dos principais pontos de sua argumentação contra a atuação da Casa Branca.
Discurso na ONU marcou tom de confronto
O episódio ocorre depois do discurso feito por Lula na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York. Na ocasião, o presidente adotou um tom crítico em relação ao tarifaço imposto pelo governo norte-americano e às medidas comerciais de Trump. A expectativa antes do pronunciamento já era de que ele usaria o espaço internacional para contrapor a política econômica e diplomática dos Estados Unidos.
Com as novas declarações, Lula busca transformar o tema da possível interferência eleitoral em uma defesa pública da autonomia do Brasil. Ao associar qualquer atuação de Trump ao risco de rejeição nas urnas, o presidente amplia o confronto político e coloca a soberania eleitoral no centro de sua campanha.
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